Entenda a disputa nos 7 estados que vão definir o futuro do Senado dos EUA

Sete estados dos Estados Unidos são classificados por analistas políticos como os mais competitivos na definição de quem ficará com a maioria das cadeiras do Senado após as midterms, as eleições de meio de mandato desta terça-feira (3) que

Por Admin ·

Entenda a disputa nos 7 estados que vão definir o futuro do Senado dos EUA

Isso porque a corrida entre republicanos e democratas neles todos é altamente indefinida e disputada. São eles: Alasca, Texas, Kansas, Iowa, Ohio, Michigan e Maine. Um terço das cem cadeiras da Casa estão em disputa. Atualmente, os republicanos possuem uma estreita maioria de 53 assentos, ante 47 dos democratas e dos independentes.

Imagine ir à urna votar para o Senado e descobrir que dois candidatos têm o mesmo nome . É o que acontece no Alasca. A disputa pela vaga do estado de 738 mil habitantes no extremo da América do Norte já tem sido judicializada e tem no centro essa confusão.

A ex-deputada indígena Mary Peltola (democrata), 53, disputa a vaga contra o senador Dan Sullivan (republicano), 61, que tenta se reeleger. Pouco depois do anúncio de suas candidaturas, um novo nome, em teoria independente, surgiu na disputa: Daniel Sullivan, este um professor aposentado de uma pequena vila rural, de nome quase idêntico ao do candidato republicano.

Uma investigação do jornal New York Times revelou que a campanha de Peltola foi em busca do nome de Sullivan de propósito, para causar confusão e, quem sabe, fazer com que votos que seriam para o republicano fossem para ele. A campanha nega.

O governo Trump entrou com uma ação na Justiça para pedir que o resultado da eleição fosse anulado caso o republicano Sullivan perdesse o pleito, mas pudesse ter vencido caso recebesse todos os votos dados ao professor Sullivan. A Justiça negou. Peltola aparece numericamente à frente para ganhar a vaga.

A Guerra do Irã , um tema que tem ajudado a desidratar o apoio ao presidente Trump, aparece com frequência nos debates da disputa pelo Senado neste estado do Centro-Oeste com 3,2 milhões de habitantes.

O conflito no Oriente Médio teve impacto econômico para os fazendeiros em plena época de colheita, aumentou o preço dos combustíveis e levou à perda de militares locais que foram para a guerra. A deputada Ashley Hinson (republicana), 43, e o deputado estadual Josh Turek (democrata), 47, disputam a vaga. Turek insiste no fato de Hinson apoiar Trump na continuidade da guerra, o que afirma ir na contramão do interesse do eleitorado.

Ele faz uso de uma história pessoal. Lembra que seu pai, John, serviu na Marinha durante a Guerra do Vietnã , e que foi exposto ao chamado agente laranja, um herbicida usado para destruir plantações nas quais se escondia o Exército inimigo. Josh Turek é cadeirante e diz que sua condição, consequência da chamada espinha bífida, uma malformação congênita, é fruto da intoxicação do pai. Ele afirma, assim, que sua história mostra as consequências de longo prazo dos conflitos militares para os cidadãos americanos.

Turek apresenta uma margem apertada de vitória contra Hinson.

A religião entrou no centro da disputa nesse estado do Centro-Oeste com 3 milhões de habitantes. O pastor Adam Hamilton (democrata), 62, surgiu na disputa para enfrentar o já senador Roger Marshall (republicano), 66. E ele aparece na frente nas pesquisas.

Hamilton é pastor fundador da Igreja da Ressurreição, uma das maiores congregações metodistas do país. Ainda que siga a agenda conservadora da igreja, é flexível em alguns temas. Sobre o aborto , por exemplo, já disse que o procedimento precisa ser seguro e disponível às mulheres, ainda que diga preferir o uso da pílula do dia seguinte.

A saúde, aliás, é um tema central nessa disputa. Com as dívidas dos americanos e a dificuldade de acessar cuidados médicos, o tema ganhou relevância, e uma investigação do New York Times mostrou que o republicano Marshall, que é ginecologista, já processou mais de 700 de seus pacientes com contas pendentes, e que mais de 80 deles chegaram a ser presos.

A última vez que o estado teve um senador democrata foi quase há cem anos, em 1932.

No estado do Nordeste dos EUA com 1,4 milhão de habitantes, a já senadora Susan Collins (republicana), 73, que já está há 30 anos no cargo, e Troy Jackson (democrata), 58, um ex-senador estadual e madeireiro disputam a vaga.

Jackson lidera com boa margem as pesquisas de intenção de voto, defende políticas como a saúde gratuita e o fim da polícia de migração (o ICE), e Collins tem um desafio, dado que o Maine não apoiou Trump nas últimas eleições e tem sido vigilante em relação aos republicanos.

Mas a dúvida ainda é se Jackson terá a capacidade de mobilizar o mesmo público que seu antecessor na disputa, Graham Platner, mobilizava. Ex-veterano que serviu no Afeganistão e no Iraque , Platner deslanchava como candidato democrata, até que teve de desistir da campanha após uma série de acusações contra ele virem à tona.

O candidato tinha uma tatuagem relacionada a um símbolo nazista, já havia publicado comentários de ódio na internet (o que atribuiu às consequências psicológicas depois que voltou da guerra), e foi acusado de estupro por uma ex-namorada, o que ele nega.

O histórico apoio da Casa Branca a Israel virou o tema-chave da disputa neste estado do Centro-Oeste com 10 milhões de habitantes, o único dos sete estados-chave cuja vaga disputada no Senado já é ocupada por um democrata.

Disputam a vaga o epidemiologista Abdul El-Sayed, 42, (democrata), e o ex-deputado e agente do FBI Mike Rogers (republicano), 63.

El-Sayed é filho de um imigrante do Egito e um veemente crítico do apoio militar que Washington concede a Israel. A imprensa americana tem afirmado que, se eleito, ele seria o mais vocal senador crítico de Israel desde a formação do Estado judeu há 78 anos. Seria, também, o primeiro senador muçulmano.

Por esse motivo, parte de seus correligionários rejeita o seu nome. Os democratas, ainda assim, lideram as intenções de voto nas pesquisas prévias às midterms.

A deputada Haley Stevens, democrata, que disputou com El-Sayed e perdeu a nomeação do partido para disputar a vaga pelo Senado, acaba de anunciar que está apoiando Rogers, o republicano. A questão de Israel foi central nessa escolha e no rompimento com El-Sayed. Stevens não é judia, mas seu marido, sim, e ela já disse estar considerando se converter. As doações para a campanha de El-Sayed dispararam após a ação de Stevens. Resta saber se isso se converterá em votos.

Conversas sobre os data centers, os gigantes centros de processamento de dados que demandam muita energia e crescem a galope por conta da IA , têm dominado a eleição para o Senado neste estado de 11 milhões de habitantes no Cinturão da Ferrugem.

Algumas das principais cidades de Ohio têm visto a instalação de data centers crescer devido a incentivos fiscais públicos. Consequência direta, o preço da energia para os consumidores também subiu, e a conversa virou de interesse público.

Disputam a vaga o já senador e ex-vice-governador Jon Husted (republicano), 59, e o ex-senador Sherrod Brown (democrata), 73. Husted começou na vaga em 2025, quando foi indicado para substituir o então incumbente, J. D. Vance , que deixou o cargo para assumir como vice-presidente dos EUA. Vance havia sido eleito em 2022.

Brown tem chamado seu opositor de "a cara dos data centers" e dito que essas estruturas pouco ou nada beneficiam os trabalhadores deste estado que outrora foi um coração industrial. Dados públicos mostram que bilhões em incentivos para os data centers foram liberados quando Husted era vice-governador. Os democratas aparecem na frente na disputa.

O segundo estado com maior população latina nos EUA, logo após a Califórnia, produziu nestas midterms um dos personagens de maior calibre nacional na disputa, o candidato James Talarico (democrata), 37. Ele lidera as pesquisas e poderia se tornar o primeiro democrata eleito no estado desde 1988.

Deputado estadual, ex-professor de ensino médio e seminarista presbiteriano, ele disputa com Ken Paxton (republicano), 63, atual procurador-geral do estado. Ainda que não tenha origem latina, Talarico fala espanhol e mantém forte relação com as comunidades latinas do Texas. Isso é importante em um momento no qual a intenção de voto dos latinos, que na última eleição cresceu para Trump, tem novamente aumentado para os democratas por fatores como a alta no custo de vida e a perseguição aos imigrantes em situação irregular.

Talarico é mais um jovem nome democrata que tem apostado na crítica aos bilionários pela crise no custo de vida americano. Ele diz querer reconstruir sindicatos e abonar dívidas médicas. É progressista e defende uma Igreja mais inclusiva.