Enem 2026 tem questões sobre mulheres, Lei Rouanet, povos indígenas e memória

A prova do primeiro dia do Enem 2026 trouxe questões sobre a presença das mulheres na história, a resistência dos povos indígenas , a escravidão e a construção da memória coletiva. Professores ouvidos pela Folha destacam a interpretação e a contextualização, m

Por Admin ·

Enem 2026 tem questões sobre mulheres, Lei Rouanet, povos indígenas e memória

Na avaliação de Gilberto Alvarez, diretor e professor do Cursinho Poli, cerca de 70 das 90 questões eram fáceis ou médias. Segundo ele, o principal desafio foi administrar o tempo e o cansaço.

A melhor estratégia, de acordo com o Alvarez, era ler primeiro o enunciado e as alternativas e só depois buscar pistas nos textos e nas imagens. "A maior dificuldade da prova para o estudante foi a ansiedade inicial, o planejamento do tempo [...] e obviamente o cansaço."

Na área de linguagens, um dos destaques foi um trecho de "Menino de Engenho", de José Lins do Rego, usado como base para cinco questões. Segundo Tamires Marcello, professora de linguagens do Colégio e Sistema pH, neste ano houve maior cobrança de conteúdo do que na edição anterior, quando as perguntas se concentraram em gênero, tipologia e estrutura textual.

Para Tamires, alternativas semelhantes fizeram do domínio do conteúdo um diferencial, embora a interpretação também ajudasse a resolver a questão. A professora também ressalta uma questão sobre função referencial da linguagem e outra com um poema da década de 1980 que explorava a temática feminina. Mulheres, população negra e povos indígenas apareceram em diferentes textos.

A prova também cobrou a finalidade de anúncios, infográficos e materiais de divulgação de exposições. Nesses itens, pequenas mudanças nos verbos das alternativas podiam alterar o sentido da resposta. Willy Rocha, professor de português da Escola SEB Lafaiete AZ, ressalta uma questão sobre a Lei Rouanet e outra sobre a atleta olímpica Fabiana Murer, do salto com vara.

O item relacionava a necessidade de melhorar em 15 centímetros a marca da atleta à importância da velocidade, em uma conexão com a física. "Foram duas abordagens muito interessantes em uma prova bastante característica do Enem", afirmou.

Em ciências humanas, a prova de história se afastou de uma perspectiva eurocêntrica, segundo Camila Feitosa, professora de história do Elite Rede de Ensino. O Brasil Colônia apareceu em questões sobre populações indígenas, cristianismo e escravidão.

Também houve destaque para a luta das mulheres contra a misoginia e pela conquista do direito ao voto, além de temas ligados à população negra e aos ciganos.

Pedro Zonta, professor de história da Escola SEB Lafaiete AZ, classificou a prova como uma das mais equilibradas dos últimos anos. Ele apontou questões sobre feminismo, território e preservação cultural indígena, cristianismo e ditadura militar .

"A prova de história do Enem foi uma das mais equilibradas dos últimos anos, com questões bastante características do exame, marcadas pela interdisciplinaridade e pela interpretação, mas que também exigiam conhecimento prévio dos alunos", afirma Zonta.

Para o professor, faltaram temas recorrentes em outras edições, como a Primeira República e a Era Vargas.

Além disso, um texto de 42 linhas sobre museus e memória serviu de base para quatro questões, o que, na avaliação da professora Camila, tornou a prova mais cansativa.

Em filosofia, Lígia Albuquerque, professora do Elite Rede de Ensino, afirmou que a prova ficou dentro do esperado, com questões de ética e política e maior presença da filosofia antiga. Aristóteles voltou a aparecer, enquanto o contratualismo, que não era cobrado havia algum tempo, também foi abordado.