Embate entre Eduarda Campopiano e Sofia Favero acende alerta para Tarcísio na Alesp

O encontro das deputadas estaduais mais votadas pelos paulistas gerava expectativa na recepção aos novos eleitos realizada na última quinta-feira (15) na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ). Eduarda Campopiano ( PL ) e So

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Embate entre Eduarda Campopiano e Sofia Favero acende alerta para Tarcísio na Alesp

O encontro das deputadas estaduais mais votadas pelos paulistas gerava expectativa na recepção aos novos eleitos realizada na última quinta-feira (15) na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ). Eduarda Campopiano ( PL ) e Sofia Favero ( PSOL ) representam lados opostos da pauta de costumes que polariza a política no país.

Estreantes no cargo, as parlamentares são vistas como potenciais protagonistas dos principais embates da próxima legislatura. O confronto, porém, terá de esperar a posse em 1º de fevereiro. Favero não compareceu ao evento. Recuperava-se de uma pré-pneumonia. Campopiano ficou pouco. Chegou tarde e precisou antecipar a saída devido a compromissos na Baixada Santista , onde mora.

Existe mais do que curiosidade quanto ao comportamento das deputadas. Veteranos relatam preocupação com a possibilidade de que a guerra cultural seja impulsionada pelas novatas e, assim, dite o ritmo dos debates na Casa.

A apreensão vem especialmente do lado dos aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Há temor quanto à possibilidade de debates ideológicos tomarem espaço na pauta que, em condições normais, tende a ser ocupada por propostas do Palácio dos Bandeirantes.

Tarcísio é visto por apoiadores como potencial presidenciável na disputa eleitoral de 2030. Um segundo mandato com muitas entregas aumentaria as chances de o governador paulista construir um futuro político independente do bolsonarismo.

Propostas apresentadas pelo governador reeleito durante a campanha corroboram a ideia de uma gestão que contará com sua base para aprovar projetos pragmáticos.

É o caso da criação do Deinfra, departamento pensado para distribuir recursos e capacitação para municípios realizarem obras contra secas e enchentes. Um tipo de medida que costuma fortalecer laços com prefeitos, importantes cabos eleitorais em uma corrida presidencial.

No polo conservador, Campopiano conquistou 1,95 milhão de votos. Aos 23 anos, a ex-vereadora de Praia Grande foi a deputada mais votada do país. O apoio recebido pela parlamentar nas urnas foi construído nas redes sociais ao defender temas como a valorização da família tradicional e posições contrárias ao feminismo.

Integrante da base governista, a deputada diz que não pretende criar obstáculos. Ela avisa, porém, que não abrirá mão das pautas caras ao seu eleitorado. "Estou alinhada com o governador Tarcísio para avançar os projetos dele, mas caso eu tenha que defender os meus posicionamentos e o posicionamento do meu eleitor, então sim, haverá embate", disse.

No campo progressista, Favero obteve a terceira maior votação do estado ao atingir 407 mil votos. Ativista de direitos humanos, destacou-se pelas pautas de inclusão da população LGBTQIA+ . Ela nega que fará um mandato voltado a temas de nicho.

A parlamentar diz que as demandas do eleitorado dela não estão separadas das necessidades da classe trabalhadora, tais como educação pública de qualidade, moradia digna, saúde e segurança pública. "Estamos prontas para o enfrentamento de ideias no plenário. Mas existe uma linha clara que separa a crítica política do crime", diz.

Pautas puramente ideológicas tendem a ser estéreis para a gestão pública por estarem afastadas das necessidades reais da população, mas é exagerada a preocupação de que a presença de deputados identificados com esses temas inviabilize a governabilidade em São Paulo, segundo o cientista político e professor do Insper Leandro Constantino.

O professor ressalta que a Alesp ainda é composta por uma maioria de políticos mais voltados a acordos fisiológicos do que a questões morais.

Além disso, até mesmo deputados de retórica inflamada costumam ser pragmáticos no momento de votar projetos estratégicos. "Quando são chamados, eles deixam questões ideológicas de lado e mergulham nas pautas caras ao comando do partido", diz Constantino.