O grupo reúne dez pessoas de diferentes ocupações e trajetórias políticas em seis estados. Ao longo dos sete meses de conversas, parte delas mudou de preferência, enquanto outras apostaram em nomes que ficaram pelo caminho. A série registra essas experiências individuais, sem representatividade estatística.
O agricultor José Marques, de Bocaiuva (369 km de Belo Horizonte), esperava uma nova liderança e votou em Ronaldo Caiado no primeiro turno. No segundo, escolheu Lula : não sente segurança em Flávio e leva em conta a situação das famílias pobres da região onde vive.
"Eu moro numa região de gente muito pobre, sabe, queira ou não, aí não foge disso", afirma. Ele vê no presidente maior garantia de manutenção dos auxílios. "E quem pode garantir, pelo menos até agora, é o Lula. Pra muita gente é questão de sobrevivência, não é questão de luxo, de vaidade, não, sabe?"
A falta de serviços públicos também preocupa o cacique Baré Rui Leno Macedo de Moraes, de Barcelos (405 km de Manaus), mas ele fez a escolha oposta. Votou em Flávio e pretende repetir, por ver no senador propostas de renovação e redução de impostos.
Rui contesta a ideia de que ser indígena signifique apoiar o PT. Para ele, a defesa ambiental precisa vir acompanhada de serviços às comunidades, "que estão abandonadas".
O cacique se diz de direita e não bolsonarista, "só que o bolsonarismo hoje é que nem o Flamengo, é a maior torcida que tem".
O empresário Renato Lucas da Silva, fabricante de embalagens em São José dos Campos (86 km de São Paulo), diz que manter o negócio exige pagar salários e impostos. Critica promessas de perdão de dívidas: "Eu não quero dinheiro emprestado, eu quero, como já disse aqui, comprar e vender e receber direitinho."