Eleitor da extrema direita no Brasil é o 'igual-oposto' do europeu

No Brasil, nos países vizinhos, nos EUA e na Europa , os eleitores das direitas de massas contemporâneas têm algo em comum: votam contra o sistema. "Sistema" é palavra polissêmica, e aí está sua força. A façanha é misturar revoltas legítim

Por Admin ·

Eleitor da extrema direita no Brasil é o 'igual-oposto' do europeu

No Brasil, nos países vizinhos, nos EUA e na Europa , os eleitores das direitas de massas contemporâneas têm algo em comum: votam contra o sistema. "Sistema" é palavra polissêmica, e aí está sua força.

A façanha é misturar revoltas legítimas —contra privilégios, contra a corrupção— com preconceitos, conspirações e ataques às instituições democráticas. Assim, "sistema" pode ser o "politicamente correto", senha paleoconservadora para os direitos das mulheres, das pessoas negras e das minorias; pode ser a "Catedral", nome que a direita tecnológica dá às universidades e à imprensa; pode ser o "globalismo", o STF ou as urnas.

Mas há uma diferença fundamental entre o Brasil, de um lado, e a Europa e os EUA, de outro. Lá, esse eleitor lamenta efetivas perdas. Aqui, ele teve ganhos.

O eleitor de Donald Trump e da extrema direita europeia é o operário que perdeu a fábrica, o filho que não comprou uma casa aos 30 anos, como fez seu pai. Ele quer voltar: "Make America Great Again", faça os Estados Unidos grandes de novo; "A França está de volta", diz o lema de Jordan Bardella , do RN; "a Holanda nossa de novo", o de Geert Wilders , do PVV.

Pesquisas mostraram que os condados americanos mais expostos à concorrência chinesa deslocaram o voto para os republicanos, e as zonas industriais europeias, na mesma situação, para partidos como a AfD e o RN.