Eleições de meio de mandato nos EUA: o que está em jogo para big techs

As eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (03), podem redefinir quais empresas vão preservar suas vantagens em Washington – principalmente em setores como defesa, saúde, bancos e inteligência ar

Por Admin ·

Eleições de meio de mandato nos EUA: o que está em jogo para big techs

As eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (03), podem redefinir quais empresas vão preservar suas vantagens em Washington – principalmente em setores como defesa, saúde, bancos e inteligência artificial.

Em outras palavras, as midterms podem mudar quem detém o poder de barganha. Para algumas das maiores empresas americanas, Washington faz parte do modelo de negócios.

Entenda os possíveis impactos das midterms dos EUA no mercado

Uma vitória democrata numa ou ambas as câmaras do Congresso concederia ao partido um novo poder de pressão para investigar empresas, contestar gastos federais e exigir concessões legislativas.

No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump (republicano), manteria seu poder de veto. E autoridade sobre tarifas, imigração e regulamentação federal.

Oposição no Congresso pode travar big techs

Se a oposição assumir o controle da Câmara ou do Senado nos Estados Unidos, a rotina das maiores empresas de tecnologia do mundo deve mudar.

O presidente dos EUA, Donald Trump, vai manter seu poder de veto e autoridade em temas importantes – Imagem: YousufDean/Shutterstock

Isso porque o partido que lidera essas casas ganha o poder de convocar executivos para depor e exigir o envio de documentos internos.

Na prática, big techs podem ser chamadas publicamente para prestar contas sobre decisões de negócios, contratos e doações financeiras, por exemplo.

Recentemente, parlamentares enviaram pedidos de explicação para empresas como Apple, Nvidia, Cisco e Salesforce por conta de projetos ligados ao governo ou isenções de impostos de importação.

Mesmo quando não há irregularidades comprovadas, essas investigações tiram o foco dos executivos e geram manchetes que assustam investidores, o que pode fazer as ações dessas companhias oscilarem.

Gastos públicos na mira

O Congresso americano detém o poder de decidir onde o dinheiro dos impostos será aplicado. E mudanças no comando legislativo podem mexer no bolso de empresas que dependem do governo.

Um dos principais pontos de atenção é a saúde. Cortes previstos no Medicaid (programa de assistência médica para populações de baixa renda) ameaçam reduzir a receita de seguradoras focadas nesse setor e aumentar o prejuízo de hospitais com atendimentos não pagos.

Se a oposição ganhar força, a tendência é que tente barrar esses cortes em negociações de orçamento, buscando estabilizar o atendimento.

No setor de defesa e tecnologia militar, o cenário é de disputa. A Casa Branca pede orçamentos bilionários para estocar suprimentos e financiar operações militares. Além disso, busca fechar compras de longo prazo, como centenas de caças da Lockheed Martin.

No entanto, esses acordos dependem do aval do Congresso para receberem o dinheiro.

Enquanto programas de defesa contra a China e modernização de mísseis têm apoio de ambos os partidos, outros gastos podem ser congelados ou redirecionados.

Isso exigiria que investidores olhassem com muito cuidado para quais empresas de tecnologia militar realmente vão faturar.

O impacto das leis para IA, criptomoedas e bancos

As leis e regulamentações aprovadas no Congresso definem as regras do jogo para setores inteiros. E a falta de consenso político gera incerteza para o mercado.

População resiste à construção de mega data centers de IA por conta de impactos locais – Imagem: Make more Aerials/Shutterstock

A inteligência artificial vive o dilema mais complicado. A Casa Branca pressiona pela construção rápida de mega data centers para manter a liderança tecnológica dos EUA. E gigantes como Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta planejam investir mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões) nessa infraestrutura.

No entanto, a população resiste por conta de impactos locais, como o consumo excessivo de água e o aumento na conta de luz.

O próprio Congresso diverge sobre obrigar as big techs a arcarem com os custos de energia.

No fim, além do Congresso, governos locais e agências reguladoras estaduais terão peso decisivo sobre quais projetos de infraestrutura de IA vão sair do papel.

Já no setor de criptomoedas, gigantes como Coinbase buscam uma legislação clara e duradoura para operar com segurança.

Contudo, projetos de lei apoiados pelo governo travaram no Senado. E a entrada de parlamentares de oposição pode significar exigências mais severas para proteger consumidores e fiscalizar esse mercado.

No setor bancário, as instituições buscam estabilidade nas regras de capital escritas pelo Federal Reserve. Mas o controle político do Senado é o que determina quem assume as cadeiras de comando nesses órgãos reguladores.

(Esta matéria usou informações da CNBC.)