A disputa pelo próximo governo tem dois protagonistas, mas o nome de quem comandará o país pode depender de políticos que, ao menos por enquanto, aparecem em segundo plano. De um lado está Binyamin Netanyahu , primeiro-ministro com mais de 19 anos acumulados no poder. Do outro, Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas que tenta encerrar o domínio político do adversário.
Os israelenses, porém, não escolhem diretamente seu premiê. Nas urnas, votam nas listas para definir a divisão das 120 cadeiras do Knesset. Com os resultados, o presidente Isaac Herzog consulta os partidos e indica um parlamentar para tentar formar governo.
A escolha não precisa necessariamente recair sobre o líder da legenda mais votada, mas sobre quem o presidente considerar com melhores condições de obter a confiança do Parlamento.
A última pesquisa do Canal 12, divulgada na sexta-feira (23), aponta uma disputa apertada. Na avaliação sobre quem seria mais adequado ao cargo de primeiro-ministro, em confronto direto, o general da reserva reúne 44% das preferências, contra 38% do atual premiê.
Aos 77 anos, Netanyahu é o político com mais tempo acumulado à frente do país. Liderou entre 1996 e 1999, voltou ao cargo em 2009 e permaneceu até 2021, quando foi afastado por uma coalizão de adversários. Recuperou o posto no fim de 2022, sustentado por partidos ultraortodoxos e de extrema direita.
Sua atual campanha se apoia principalmente nos resultados das operações militares conduzidas após o ataque terrorista do Hamas , em 7 de outubro de 2023. Netanyahu afirma que os confrontos em Gaza, no Líbano e com o Irã fortaleceram a segurança de Israel, enquanto atribui a dirigentes militares e de inteligência a responsabilidade pelas falhas que permitiram o ataque.
A trajetória política do premiê convive ainda com um julgamento por corrupção , no qual nega as acusações, e com um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por suspeitas de crimes de guerra e contra a humanidade cometidos na Faixa de Gaza , também rejeitadas por ele. Na política interna, seu governo defende uma reforma do Judiciário contestada pela oposição e enfrenta divergências sobre a dispensa do serviço militar para homens ultraortodoxos.
Netanyahu busca manter a aliança com partidos como o Shas e o Judaísmo Unido da Torá, que deixaram postos no governo em meio à disputa sobre o alistamento militar, além das legendas de extrema direita dos ministros Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças). Os dois últimos defendem a expansão do controle israelense sobre territórios palestinos ocupados e já se manifestaram favoravelmente à retirada de palestinos de Gaza e ao restabelecimento de assentamentos israelenses no território.
A alternativa que lidera as pesquisas é Eisenkot, 66, cuja carreira política começou após quatro décadas nas Forças Armadas. Filho de imigrantes marroquinos, comandou o Estado-Maior entre 2015 e 2019 e ingressou na política em 2022, na aliança Unidade Nacional, liderada por Benny Gantz . Criou seu próprio partido (Yashar) em 2025, apresentando-se como uma alternativa de centro ao governo Netanyahu.
Após o 7 de Outubro, integrou como observador o gabinete de guerra do premiê, mas deixou o colegiado oito meses depois, criticando a condução do conflito. Também por conta da guerra, Eisenkot perdeu um filho e dois sobrinhos, que morreram em combate.
Apesar de se opor ao atual governo, o general da reserva mantém posições próximas às de Netanyahu na segurança. Em entrevista à agência Reuters, rejeitou a criação de um Estado palestino e defendeu o desmantelamento da capacidade militar do Hamas.
Na Cisjordânia ocupada, apoia a existência de assentamentos dentro dos limites da lei de Israel —algo considerado ilegal à luz do direito internacional—, mas critica a violência de colonos contra palestinos e projetos de expansão territorial defendidos pelo atual governo.
O programa do Yashar prevê uma comissão de investigação sobre as falhas do 7 de Outubro, redução do custo de vida e serviço militar ou civil para todos, inclusive ultraortodoxos . Eisenkot também defende a independência do Judiciário e descarta governar com Netanyahu, embora não exclua uma aliança com o Likud sem seu atual líder.