Eleição de Flávio seria um risco econômico a curto e longo prazo, diz Nobel de Economia

Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno das eleições brasileiras, o mercado acordou em polvorosa. O dólar caiu para R$ 5. A Bolsa atingiu uma alta histórica de 206 mil pontos . Era a reação ao 1,87 ponto percentual de vantagem marcados

Por Admin ·

Eleição de Flávio seria um risco econômico a curto e longo prazo, diz Nobel de Economia

Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno das eleições brasileiras, o mercado acordou em polvorosa. O dólar caiu para R$ 5. A Bolsa atingiu uma alta histórica de 206 mil pontos . Era a reação ao 1,87 ponto percentual de vantagem marcados por Flávio Bolsonaro (PL) , cuja campanha sinaliza um eventual ajuste fiscal e um maior controle das contas públicas .

Mas, para Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, a alegria é prematura.

Para o economista, uma vitória de Flávio apresentaria sérios riscos para a economia brasileira. Antes do primeiro turno, Stiglitz havia assinado, junto de figuras como Thomas Piketty, Chico Buarque, Raí e outros intelectuais, um texto de opinião no jornal francês Le Monde que afirma que o candidato do PL é uma ameaça à democracia.

Em entrevista à Folha na semana seguinte ao pleito, o ex-economista-chefe do Banco Mundial alertou para os riscos econômicos que o plano de Flávio representa. Para ele, o projeto "levará à deterioração do padrão de vida das classes média e baixa, à redução da capacidade de investimento público e levará ao aumento da desigualdade e da pobreza."

Stiglitz, que hoje é professor de administração e negócios na Universidade Columbia, em Nova York, é crítico da ideia de que mercados devem ser desregulamentados. Ele foi vencedor do Nobel de Economia em 2001 —ao lado de George Akerlof e Michael Spence— com trabalhos que desafiavam frontalmente essa ideia.

O prêmio veio na esteira do período que Stiglitz passou como economista-chefe do Banco Mundial, de 1997 a 2000. Antes disso, chefiou de 1995 a 1997 a equipe de economistas do governo Bill Clinton (1993-2001).

Stiglitz defende que, para o Brasil, uma eventual austeridade fiscal em um governo Flávio resultaria na redução do PIB (Produto Interno Bruto). Dessa forma, o país se tornaria menos atraente para investimentos, causando o efeito contrário ao que animou o mercado financeiro depois do primeiro turno.

Professor, no manifesto publicado no [jornal francês] Le Monde, o senhor e os demais signatários falam sobre os perigos da possível eleição de Flávio Bolsonaro . Que riscos são esses? Há as questões políticas, que, na minha opinião, não devem ser subestimadas: o enfraquecimento da democracia.

Mas as consequências econômicas também são bastante claras. Ele não especificou em detalhes o que pretende fazer, mas propôs promover austeridade fiscal por meio de cortes de gastos e reduções de impostos para os muito ricos, o que agravará ainda mais a desigualdade.

Ele fala em reduzir o papel do governo, em privatização. Isso levará à deterioração do padrão de vida das classes média e baixa, à redução da capacidade de investimento público —que é importante para o crescimento de longo prazo— e levará ao aumento da desigualdade e da pobreza, questões que há muito tempo estão no centro dos problemas do Brasil.