Realmente, é uma triste ironia ver o Velho Continente, que para muitos continua a representar uma promessa de vida melhor, palco de tanto descontentamento. Mas aqui estamos, com o povo zangado na rua a pedir melhores governos, mais habitação, melhor ensino e respostas para o aumento do custo de vida.
Reciclei a famosa frase de James Carville, o famoso estratega de Clinton na campanha presidencial de 1992, e respondi-lhe: "é a ira, estúpido!" (ele percebeu o trocadilho e não se ofendeu). Há uma revolta incontida, alimentada por um ressentimento com causas profundas, que ameaça as democracias liberais europeias.
Na semana passada, a revista The Economist punha a coisa, em uma dramática capa, como "a agonia da Europa liberal". Sublinhava a situação difícil do centro político, perante restrições orçamentárias e um eleitorado cada vez mais frustrado, revoltado e disponível para experimentar alternativas radicais. O tamanho da indignação popular é tão grande que as pessoas não param para pensar —avançam em direção a quem lhes prometa soluções milagrosas.
Na Itália, Georgia Meloni já chegou ao poder. Na França, Marine Le Pen lidera as intenções de voto nas eleições presidenciais de abril. Na Alemanha , a AfD também segue à frente nas pesquisas nacionais e já conseguiu uma importante vitória nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt. Um trio que seria fatal para a União Europeia .
A verdade é que os cidadãos deixaram de confiar nos partidos do sistema, porque acreditam que o sistema deixou de lhes oferecer oportunidades, representação e segurança.