As ações de investigação judicial eleitoral, apresentadas de domingo (1º) a esta quarta-feira (4), tratam de abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação e compra de votos. Elas se somam à tentativa de Paes de promover um segundo turno contra Ruas por meio de uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal).
Procurados pela Folha , eles não comentaram as acusações de que foram alvos.
Ambos pedem a declaração de inelegibilidade do adversário por oito anos. Já no caso das ações contra Ruas, são solicitadas ainda a cassação de seu diploma ou do mandato.
A ofensiva foi iniciada pelo governador eleito em duas ações. Na primeira, protocolada no domingo, Paes é acusado de manter um site ilegal para divulgar denúncias contra Ruas. A página, segundo o PL, era mantida nos Estados Unidos e foi divulgada pelo próprio ex-prefeito durante debate da TV Globo.
Já na segunda ação, oferecida na terça-feira (3), Ruas acusa Paes de se beneficiar de assédio junto a servidores e prestadores de serviços da Secretaria Municipal de Educação para participar de eventos políticos.
Esta acusação tem como base um procedimento aberto pelo Ministério Público do Trabalho. A ação também tem como alvo o atual prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que assumiu o município após a renúncia de Paes para concorrer ao governo.
O terceiro processo pede o bloqueio do canal "Exército do Dudu", criado pelo PSD-RJ para mobilizar apoio popular em favor do pedido de realização de segundo turno, tema de ação proposta pela legenda no STF.
Paes, por sua vez, apresentou ação nesta quarta-feira acusando o governador eleito de montar um esquema de "compra indiscriminada de votos". Ele usa como base uma série de postagens em redes sociais com relatos sobre a ocorrência do crime eleitoral em favor de Ruas, além de registros policiais de apreensões de dinheiro vivo ligados a candidatos do PL.
Paes também afirma que Ruas cometeu abuso de poder econômico ao produzir panfletos em que o ex-prefeito era apresentado como inimigo dos valores cristãos. Há também indicação de material no qual o candidato do PSD era associado ao número de urna do PL ou do PT, do presidente Lula.
Em suas redes sociais, o ex-prefeito classificou o material como um "golpe de malandrinho". Ele cita o fato de 204 mil pessoas terem anulado o voto para governador digitando o número 13, do PT.
Douglas Ruas e Eduardo Paes movem ações na Justiça Eleitoral por atuação em disputa no RJ
O governador eleito do Rio de Janeiro , Douglas Ruas ( PL ), e o ex-prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes ( PSD ), iniciaram nesta semana uma ofensiva de acusações mútuas na Justiça Eleitoral sobre supostas irregularidades e crimes eleitorais cometidos