A expectativa do mercado é de que o Fed mantenha os juros na faixa atual, entre 3,75% e 4% ao ano, a menos de uma semana das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A autoridade monetária aguarda sinais mais claros sobre o comportamento da inflação antes de decidir se serão necessários novos aumentos.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, 90,6% das apostas do mercado apontam para a manutenção dos juros, enquanto 9,4% indicam uma alta de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 4% a 4,25% ao ano.
No mesmo horário, o Ibovespa registrava forte queda de 2,72%, aos 170.927 pontos, ainda pressionado pelo movimento de correção após a vitória do presidente Lula ( PT ), reeleito para um quarto mandato. O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro ( PL ).
Entre as principais quedas do índice estavam as ações de grandes bancos, como o Santander, que divulgou nesta quarta-feira seu balanço trimestral . O banco registrou queda de 28% no lucro em relação ao mesmo período do ano anterior e de 4,3% na comparação com o segundo trimestre de 2026 .
As ações de empresas mais sensíveis aos juros elevados, como Azzas, Hapvida e Magazine Luiza também operavam em queda.
A desvalorização dessas companhias reflete o receio de que a manutenção de uma política de gastos elevados no governo Lula dificulte o controle da dívida pública e a redução dos juros. Taxas mais altas encarecem o crédito, prejudicam o consumo e aumentam os custos de financiamento das empresas, pressionando seus resultados.
No mercado de juros futuros, as taxas operavam perto da estabilidade nos vencimentos da ponta curta da curva e em alta nos vencimentos mais longos, após a forte alta registrada na segunda-feira (26), primeiro pregão depois do segundo turno. Às 12h42, a taxa dos contratos com vencimento em janeiro de 2028 estava em 14,380%, com queda de 0,01%, enquanto a de janeiro de 2025 subia 0,96%.
Os investidores também aguardam novas sinalizações do governo sobre os nomes que integrarão a equipe econômica e as propostas de ajuste fiscal para o próximo mandato.
No exterior, a decisão do Fed deve concentrar as atenções ao longo do dia. O anúncio está previsto para as 15h, no horário de Brasília, seguido de uma entrevista coletiva do presidente do banco central americano, Kevin Warsh, às 15h30. O foco estará principalmente nas sinalizações sobre a reunião de dezembro, já que Warsh tem evitado antecipar os próximos passos da política monetária.
A cautela antes da decisão pode aumentar a procura pelo dólar como forma de proteção. Às 12h44, porém, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, operava perto da estabilidade.
Juliana Benvenuto, coordenadora de investimentos e conteúdo da Avenue, afirma que a probabilidade de manutenção dos juros vem aumentando nos últimos dias, especialmente após a divulgação dos dados mais recentes da economia americana.
"Tivemos recentemente a divulgação do CPI, índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, que veio acima do esperado. Por outro lado, o mercado de trabalho continua relativamente estável e resiliente, embora já apresente sinais de desaceleração", diz.
Segundo a especialista, as declarações recentes dos dirigentes do Fed indicam que o controle da inflação continua sendo prioridade, mas não há urgência para elevar os juros neste momento. Com isso, o mercado considera pouco provável uma alta nesta quarta-feira, embora a possibilidade de um novo aumento em dezembro permaneça em discussão.
Em Wall Street, as Bolsas americanas operavam sem direção única às 12h47. O Dow Jones avançava 0,32%, enquanto o S&P 500 subia 0,15% e o Nasdaq tinha queda de 0,05%.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) também operavam em alta. A taxa dos papéis com vencimento em dez anos subia 0,71%, a 5,032% ao ano, enquanto a dos títulos de 30 anos avançava 0,40%, a 5,331% ao ano.