Por volta das 9h40, a moeda americana avançava 0,38%, a R$ 5,471. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, rondava a estabilidade, com alta de 0,03%.
Os juros futuros, que refletem as expectativas para a trajetória da Selic, também subiam em meio às incertezas sobre a política econômica do governo Lula. No mesmo horário, as taxas dos contratos de DI com vencimento em janeiro de 2031 e 2035 avançavam cerca de 10 pontos-base.
Na véspera (4), o Copom manteve a taxa básica de juros inalterada em 13,75% ao ano e interrompeu o ciclo de cortes da Selic em meio à turbulência nos mercados. Foi a primeira reunião do colegiado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao justificar a pausa, o colegiado mencionou o aumento significativo das incertezas em relação às próprias projeções, a elevação das expectativas de inflação e a desaceleração mais acentuada da atividade econômica. Para o comitê, esse contexto representa um cenário desafiador para a política de juros e exige cautela e serenidade em sua atuação.
A decisão foi unânime e veio em linha com a expectativa da maioria dos economistas. A aposta na interrupção do ciclo de cortes da Selic ganhou força na última semana, após a piora do cenário econômico doméstico. Às vésperas da reunião, 24 analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam a manutenção dos juros, enquanto cinco esperavam um novo corte de 0,25 ponto percentual, que seria o sexto consecutivo.
"O comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta", disse o Copom.
No comunicado, o Copom retirou a referência ao ciclo de flexibilização dos juros, sinalizando maior disposição para manter a Selic inalterada por algum tempo. No entanto, evitou indicar explicitamente a duração da pausa e não deu pistas sobre uma eventual retomada dos cortes ou uma alta dos juros no futuro próximo.
Na quarta, com o mercado fechando antes da comunicação do Copom, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em alta de 1,20%, aos 167.525 pontos, após seis sessões consecutivas de queda. O avanço ocorreu após os democratas conquistarem a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos , em derrota para o presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato (midterms). O resultado contribuiu para a desvalorização do dólar , que fechou em queda de 0,65%, cotado a R$ 5,450.
Na véspera, a moeda americana havia subido 0,70%, a R$ 5,486, no maior patamar desde dezembro de 2025. Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, afirma que o movimento desta quarta acompanhou a desvalorização do dólar no mercado internacional. O DXY, índice que compara a moeda americana a uma cesta de seis divisas fortes, fechou em queda de 0,34%.
Entre as ações que impulsionaram a alta da Bolsa estavam as da Vale , que avançaram 3,73%, acompanhando a valorização do minério de ferro, e as do Itaú , que subiram 3,29% após o banco divulgar resultados acima das expectativas do mercado. Já a Petrobras limitou os ganhos do índice, pressionada pela queda do petróleo . As ações preferenciais (PETR4) recuaram 6,92%.
Para Marcos Bassani, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, depois das fortes altas do dólar e dos juros, um movimento de alívio é saudável. Segundo ele, a acomodação abre espaço para a realização de lucros por investidores que apostavam na valorização desses ativos.
Os juros futuros fecharam o dia em queda. Às 18h07, os contratos para janeiro de 2028 recuavam 0,23 ponto percentual, a 14,390%, enquanto os vencimentos para janeiro de 2035 caíam 0,44 ponto percentual, a 15,040%.
No primeiro Boletim Focus divulgado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), na terça-feira (3), os economistas elevaram as projeções para o IPCA de 2026 e para a Selic no fim do ano. A estimativa de inflação para 2027 também subiu, para 4,76%, acima do teto da meta.
O reajuste dos economistas reflete a incerteza do mercado sobre a condução da política fiscal pelo governo e seus possíveis efeitos sobre a trajetória da dívida pública e os juros. O mercado aguarda indicações mais claras sobre as medidas econômicas que o Executivo pretende adotar.
No exterior, os títulos do Tesouro americano (Treasuries) de dez e 30 anos oscilavam, em meio à repercussão do resultado das eleições legislativas. Às 18h08, os papéis de dez anos tinham queda de 1,49%, com rendimento de 4,887, enquanto os de 30 anos recuavam 0,94%, com rendimento de 5,276%.
O petróleo Brent, referência mundial da commodity, operava em queda de 8,10%, cotado a US$ 95,21.
Em Wall Street, as Bolsas fecharam o dia em forte alta. O Dow Jones subia 3,03%, o S&P 500 avançava 1,56% e o Nasdaq tinha alta de 1,44%.
Na véspera, a Bolsa encerrou em queda de 1,42%, aos 165.528 pontos, no menor valor de fechamento desde janeiro. O pregão foi marcado pela repercussão de uma proposta do economista André Lara Resende , um dos formuladores do Plano Real, para reduzir a taxa Selic por meio de um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária.
A possibilidade de adoção de novas diretrizes para a política econômica do governo Lula aumentou a preocupação de analistas. O Executivo negou que haja uma reunião prevista entre Lula e o economista. Três integrantes da equipe econômica afirmaram que existe uma tentativa de agendar um encontro do presidente com economistas que possam apresentar diferentes visões sobre como solucionar o problema fiscal. Ainda não há, porém, previsão formal para essa reunião, nem uma agenda privada entre Lula e Lara Resende.
Lara Resende defende há anos que o problema fiscal do Brasil está nos juros, e não nos gastos primários do governo, que excluem o pagamento de juros da dívida. Ele retomou a tese em artigo publicado no fim de setembro. Segundo o economista, a Selic elevada faz os encargos da dívida crescerem a um ritmo que a produção de riqueza do país não consegue acompanhar. Para ele, esse desequilíbrio explica a trajetória da dívida pública brasileira.
A dívida bruta está hoje em 82,9% do PIB, o maior nível desde 2021. Como mostrou a Folha , estabilizar essa conta exigiria um ajuste de ao menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos . Para Lara Resende, porém, a saída passa pela redução dos juros, por meio de uma espécie de "tabelamento" da Selic, hoje em 13,75% ao ano e em dois dígitos desde 2022.
A proposta do economista envolveria a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que definiria metas conjuntas para um horizonte de quatro a cinco anos. O Banco Central se comprometeria a manter a Selic entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial do PIB, estimado em cerca de 5,5%. Como etapa inicial, a taxa seria reduzida gradualmente ao longo de 12 meses até 7,5%, com uma margem de segurança de dois pontos percentuais em relação ao PIB potencial.