Do cabelo à voz: os efeitos dos hormônios que chamaram atenção de famosas

Por O Globo — Rio de Janeiro 29/10/2026 02h00 Atualizado 29/10/2026 02h00 A mudança no tom de voz de Virginia Fonseca voltou a chamar atenção para o chamado "chip da beleza", nome popular associado a implantes hormonais que ganharam visib

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Do cabelo à voz: os efeitos dos hormônios que chamaram atenção de famosas

Por O Globo — Rio de Janeiro

29/10/2026 02h00 Atualizado 29/10/2026 02h00

A mudança no tom de voz de Virginia Fonseca voltou a chamar atenção para o chamado "chip da beleza", nome popular associado a implantes hormonais que ganharam visibilidade por sua relação com objetivos estéticos. Em setembro de 2025, a influenciadora contou que havia utilizado um dispositivo com testosterona e gestrinona e atribuiu a ele a alteração vocal. O relato trouxe novamente à discussão os efeitos dessas substâncias e os limites do uso de hormônios na busca por mudanças no corpo.

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Virginia não é a única personalidade pública que já falou sobre o assunto. Deborah Secco , Flay , Mariana Goldfarb , Juju Salimeni e Marvvila também compartilharam experiências com implantes hormonais. Os relatos são variados: enquanto Deborah mencionou benefícios relacionados ao bem-estar e à libido, Flay contou ter enfrentado queda de cabelo, irritabilidade e alterações no peso. Mariana Goldfarb, por sua vez, relatou acne e disse ter retirado o dispositivo.

Conhecidos como "chips da beleza", esses implantes ficaram associados a promessas de redução de gordura corporal, aumento da massa muscular e melhora da libido. A popularização do termo ajudou a aproximar o assunto do universo estético, embora os efeitos dos hormônios não se limitem à aparência e possam variar de acordo com a substância utilizada e as características de cada pessoa.

Para a endocrinologista Patricia Gracitelli , o nome contribui para que o procedimento seja visto como um recurso estético simples, apesar de envolver substâncias que atuam em diferentes funções do organismo.

"Quando chamamos de 'chip da beleza', parece que estamos falando de um recurso estético simples. Na realidade, estamos falando de substâncias hormonais capazes de produzir efeitos no organismo inteiro. Hormônio não deveria ser prescrito para atingir um padrão de corpo ou buscar uma promessa genérica de rejuvenescimento. Tratamentos hormonais têm indicações médicas específicas", explica.

Pele, cabelo e voz: quais são os possíveis efeitos?

O uso de hormônios com ação androgênica, como a testosterona, pode provocar mudanças que vão além dos resultados esperados na composição corporal. Acne, aumento da oleosidade da pele, crescimento de pelos, queda de cabelo e alterações menstruais estão entre os possíveis efeitos adversos. Também pode ocorrer engrossamento da voz, uma mudança que, em algumas situações, pode ser irreversível.

No caso de Virginia, a relação entre o implante e a alteração vocal foi relatada pela própria influenciadora. O relato, porém, não é suficiente para estabelecer isoladamente a causa da mudança.

O endocrinologista Renato Reis , membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ressalta a importância de diferenciar o uso de hormônios para tratar condições de saúde de sua utilização com objetivos estéticos.

"Uma coisa é utilizar um hormônio diante de uma indicação médica bem estabelecida. Outra completamente diferente é administrar hormônios em uma pessoa saudável com a promessa de reduzir gordura, aumentar massa muscular ou melhorar performance. Quando estética passa a justificar uma intervenção hormonal, precisamos discutir com muita clareza os riscos envolvidos", afirma.

Reposição hormonal não é sinônimo de chip da beleza

A discussão sobre os implantes também passa pela diferença entre tratamentos hormonais indicados para determinadas condições de saúde e o uso dessas substâncias para modificar a aparência ou o desempenho físico. A existência de riscos associados a alguns procedimentos não significa que todo tratamento hormonal seja inadequado: a indicação depende da avaliação individual e dos objetivos clínicos.

Para o médico Vagner Chiapetti , com atuação em Endocrinologia e Nutrologia, a questão está em compreender a finalidade do tratamento e avaliar seus possíveis benefícios e efeitos adversos.

"Não podemos demonizar os hormônios, porque existem situações em que a reposição tem indicação e pode ser importante para o paciente. O problema é transformar hormônio em produto de beleza. Antes de qualquer tratamento, precisamos saber o que estamos tratando, se existe deficiência ou indicação clínica e quais benefícios e riscos existem para aquela pessoa", esclarece.

A popularização dos implantes hormonais acompanha um cenário em que procedimentos estéticos, estratégias para modificar a composição corporal e promessas de melhora da disposição ganham espaço nas redes sociais. Nesse contexto, os relatos de pessoas conhecidas ampliam a visibilidade do tema, mas não permitem prever como outras pessoas responderão às mesmas substâncias.

O chamado "chip da beleza" reúne, assim, duas discussões que nem sempre aparecem separadas: a busca por mudanças estéticas e os efeitos de intervenções hormonais no organismo. Compreender essa diferença ajuda a contextualizar as experiências compartilhadas pelas famosas sem confundir relatos individuais com resultados que possam ser generalizados.

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