“DNA do ouro”: novo laboratório da PF vai rastrear garimpo ilegal na Amazônia

A estrutura, apresentada na terça-feira (03/11), em Brasília, permitirá analisar características químicas do minério para investigar sua possível origem . O objetivo é oferecer evidências científicas capazes de auxiliar na identificação de

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“DNA do ouro”: novo laboratório da PF vai rastrear garimpo ilegal na Amazônia

A estrutura, apresentada na terça-feira (03/11), em Brasília, permitirá analisar características químicas do minério para investigar sua possível origem . O objetivo é oferecer evidências científicas capazes de auxiliar na identificação de fraudes e crimes ambientais.

O Laboratório de Geoquímica Forense para Rastreabilidade Mineral funciona no Instituto Nacional de Criminalística (INC) e integra o Programa Ouro Alvo, desenvolvido pela PF com apoio do Fundo Amazônia.

A novidade está na possibilidade de confrontar a origem declarada nos documentos com as características do próprio metal . Assim, investigadores poderão buscar indícios de irregularidades mesmo quando o ouro já estiver distante do local de extração.

O chamado DNA do ouro não é material genético. A expressão descreve uma espécie de assinatura científica obtida pela análise de características químicas e isotópicas do minério.

Os pesquisadores examinarão amostras de diferentes jazidas brasileiras para construir um banco de referências . Cada registro ajudará a identificar particularidades que poderão ser comparadas com materiais apreendidos em operações policiais.

Se uma amostra apresentar características compatíveis com determinada região, o resultado poderá oferecer pistas sobre sua procedência. Esse trabalho será especialmente relevante nas investigações relacionadas ao garimpo ilegal na Amazônia.

Entretanto, a análise não substitui toda a investigação . Os resultados precisam ser interpretados em conjunto com documentos e outras provas, e a capacidade de comparação depende das referências científicas disponíveis.

O uso de análises científicas na investigação do comércio irregular de ouro começou antes da inauguração da nova estrutura.

Em agosto de 2025, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a PF transportaram mais de 140 quilos de ouro , avaliados em mais de R$ 80 milhões, para o Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.

Segundo a PRF, o material havia sido apreendido em Boa Vista, em Roraima, e Altamira, no Pará. As amostras foram encaminhadas para perícia no âmbito do Programa Ouro Alvo.

O episódio ajuda a compreender a aplicação prática da tecnologia: a apreensão permite recolher o minério, enquanto a investigação científica busca esclarecer sua procedência. A PRF não apresentou, naquela publicação, conclusões sobre a origem das amostras.

O novo laboratório também pretende fortalecer as investigações sobre a cadeia comercial do minério, permitindo verificar possíveis divergências entre a documentação apresentada e os resultados periciais.

Segundo a Polícia Federal, R$ 49,7 milhões foram destinados à agenda de modernização tecnológica e ao laboratório de rastreamento do ouro, dentro do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS).

Os equipamentos incluem recursos para análises minerais e de mercúrio, além de estruturas destinadas à preparação e ao armazenamento das amostras.

Para o combate ao garimpo ilegal na Amazônia, o próximo desafio será consolidar as referências científicas necessárias às comparações. A inauguração representa uma nova capacidade de investigação, mas a PF ainda não divulgou resultados que permitam medir a eficácia do laboratório recém-inaugurado.