Ele também afirma que a vontade do eleitor precisa ser respeitada, e que Lula terá de fazer grande esforço para pacificar o país
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Rio de Janeiro O diálogo entre o agronegócio e o governo Lula ( PT ) não foi dos melhores no terceiro mandato do presidente e precisa ser reconstruído a partir da reeleição dele , diz à Folha o presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Ingo Plöger.
Na visão do líder empresarial, Lula terá de fazer grande esforço para pacificar um país profundamente dividido. Plöger afirma ainda que a vontade do eleitor deve ser respeitada por todos.
"O primeiro tópico que precisamos ter em mente é que o diálogo entre o setor agroindustrial e o governo eleito tem de ser reconstruído", diz. "É muito importante recolocar a confiança bilateral dentro de um processo de maturidade e serenidade, olhando o longo prazo."
O agronegócio é visto, na maioria, como refratário a Lula . O senador Flávio Bolsonaro ( PL ), adversário do presidente, explorou essa resistência na campanha eleitoral.
Ele buscou se posicionar como o candidato mais alinhado a pautas do meio rural . Após perder as eleições para Lula, Flávio fugiu do Brasil e desembarcou nos Estados Unidos na quarta-feira (28).
"A reconstrução de um diálogo se faz por pessoas. As pessoas que estão nas lideranças precisam ter a boa vontade de sentar e expressar essa vontade umas para as outras", afirma Plöger.
O agronegócio tem se destacado por registrar recordes na safra de grãos , salto de produtividade e abertura de mercados no exterior . Apesar disso, lida com onda de recuperações judiciais e queixas de endividamento .
Segundo Plöger, o setor é afetado pela combinação de juros altos e preços internacionais achatados. "Você não tem margem suficiente para fazer frente ao fluxo de caixa", diz.
"São vários fatores influenciando. Você produz mais, mas com mais prejuízo. Nem sempre se sustenta por muito tempo. É por isso que o diálogo é tão importante. Não há uma solução única, mas há uma solução conjugada, conversada, negociada."
O presidente da Abag afirma que, ao longo do terceiro governo Lula, o agronegócio conseguiu abrir mercados, mas sofreu com tarifaços e impactos de problemas climáticos.
O líder empresarial lembra o exemplo das enchentes no Rio Grande do Sul . As inundações históricas pressionaram o endividamento de parte dos produtores do estado.
Agora, o setor tem novo risco climático no radar. A ameaça vem do El Niño , que pode dificultar a produção no campo ao mexer nas temperaturas e alterar a distribuição das chuvas no território.
Plöger ainda afirma que agricultores e pecuaristas tendem a ser "altamente afetados" pelo fim da escala 6x1 –seis dias de trabalho e um de folga na semana. Ele cita o possível impacto de custos maiores e os desafios na gestão das escalas a partir da mudança na legislação.
"O agro, a natureza dele, não para no sábado e no domingo. A vaca precisa ser ordenhada, a galinha tem de receber o insumo, o café tem de ser colhido."
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O plano de governo de Lula afirma que o setor é fundamental para a balança comercial do Brasil e a evolução do PIB (Produto Interno Bruto).
O documento menciona os recordes de produção de grãos e associa os resultados a uma oferta crescente de crédito rural em "condições adequadas" à atividade agrícola.
"Continuaremos fortalecendo o crédito rural, ampliando os recursos do Plano Safra e assegurando juros compatíveis com a rentabilidade da atividade agropecuária", afirma o texto.
O plano prevê a diversificação de fontes de financiamento, com estímulos ao mercado de capitais e títulos do agronegócio.
Também fala em buscar a implementação de um programa nacional de resiliência climática no campo. Outra promessa é dar "especial atenção" ao fortalecimento da política de seguro rural.