A proposta une qualificação profissional, ressocialização e combate à pobreza menstrua l. As detentas serão capacitadas para operar os equipamentos e participar da fabricação dos produtos, que terão destinação social.
O atendimento seguirá uma prioridade: os primeiros absorventes serão utilizados pelas próprias mulheres que cumprem pena. A produção excedente deverá ser distribuída à rede pública , incluindo escolas de Alagoas.
A estrutura física já está construída, e os equipamentos foram adquiridos. Em outubro de 2026, o Governo de Alagoas informou que a unidade passava pelos últimos ajustes técnicos, com previsão de iniciar as atividades em até 30 dias .
Mais do que fabricar itens de higiene, o projeto pretende oferecer às internas uma experiência profissional que poderá ser aproveitada depois do cumprimento da pena.
A capacitação incluirá o treinamento necessário para trabalhar com o maquinário. Dessa forma, as participantes poderão desenvolver habilidades ligadas à produção industrial enquanto cumprem suas penas.
A Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris) ficará envolvida na execução do projeto. O órgão já desenvolve outras atividades produtivas no sistema prisional alagoano, como a Padaria Central e o Núcleo Industrial Bernardo Oiticica.
A iniciativa também responde a uma necessidade dentro do próprio presídio: garantir acesso a produtos de higiene menstrual às mulheres custodiadas, antes de encaminhar o excedente para estudantes.
Segundo o juiz Alexandre Machado, da 16ª Vara Criminal de Maceió , as internas participarão diretamente da fabricação. A destinação dos produtos foi discutida em reunião com representantes do Judiciário e do governo estadual em 20 de outubro.
O projeto terá uma fonte específica de financiamento para a compra dos insumos. Os materiais necessários à fabricação serão adquiridos com recursos de penas pecuniárias , valores decorrentes de condenações criminais administrados pela 16ª Vara Criminal.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) permite que esses recursos sejam destinados a projetos de interesse social, observadas as regras aplicáveis.
Já o maquinário foi viabilizado por meio de um convênio com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O Governo de Alagoas ficou responsável pela construção do espaço onde a fábrica funcionará.
A iniciativa não começou do zero em 2026. A fabricação de absorventes e fraldas descartáveis no Santa Luzia já aparecia no Plano Estadual de Trabalho no Sistema Penal de Alagoas , elaborado em agosto de 2024.
Com a ativação da unidade , a produção de absorventes em presídio deverá atender primeiro às internas. A chegada dos produtos às escolas dependerá do volume fabricado e da existência de excedente para distribuição.