O indicador registrou leve redução de 0,2 ponto percentual ante o nível de 5,4% dos três meses encerrados em junho , que servem de base de comparação. Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
A abertura de empregos ficou mais concentrada na construção, enquanto as outras nove atividades investigadas não tiveram variações consideradas significativas pelo IBGE. A renda também permaneceu estável.
Para analistas, os dados mostram que o mercado de trabalho segue forte, mas dá novos sinais de perda de ritmo em meio ao cenário de desaceleração da economia sob juros altos.
"Os resultados de setembro corroboram nossa visão de mercado de trabalho aquecido, uma vez que a taxa de desemprego se aproximou ainda mais de 5%. No entanto, a população ocupada e os salários têm perdido fôlego em diversos setores e tipos de ocupação", disse o economista Rodolfo Margato, da XP.
O desemprego de 5,2% veio em linha com as projeções do mercado financeiro. A mediana das estimativas coletadas pela agência Bloomberg também era de 5,2%.
Ao longo da série histórica, um nível inferior a esse só foi observado no trimestre até dezembro do ano passado (5,1%).
O número de desempregados baixou para 5,6 milhões. O grupo diminuiu 4% na comparação com o trimestre finalizado em junho (5,9 milhões). São 234 mil a menos nessa condição.
Uma pessoa de 14 anos ou mais que não tem emprego precisa estar à procura de oportunidades para ser considerada desempregada nas estatísticas oficiais. Não basta só não trabalhar.
A redução do desemprego veio acompanhada por aumento da população ocupada com algum tipo de trabalho (formal ou informal).
Esse contingente renovou o recorde da série: 103,6 milhões. Houve alta de 0,6% (mais 581 mil) ante o intervalo até junho (103,1 milhões).
Na construção, o número de ocupados aumentou 2,8% (mais 210 mil). William Kratochwill, analista do IBGE, afirmou que obras de edifícios demandaram trabalhadores como pedreiros e auxiliares.
Segundo o técnico, a ocupação costuma crescer no trimestre até setembro, mas, neste ano, as incertezas das eleições podem ter contido as contratações na maioria das atividades.
"As pessoas, os grandes agentes, podem estar esperando para ver como se comportará a economia pós-pleito eleitoral", disse.
"Foi um período eleitoral com bastante rivalidade entre os concorrentes e propostas distintas. Isso pode influenciar as decisões."
O nível da ocupação alcançou 59% até setembro. É o maior da série histórica, repetindo o patamar que já havia sido registrado no período até novembro do ano passado.
Esse indicador mostra o percentual de pessoas com trabalho em relação ao total de 14 anos ou mais. Na prática, significa que quase 6 em cada 10 estavam ocupadas.
"É um nível de ocupação realmente elevado. Estamos muito próximos do que acontece em diversos países", afirmou Kratochwill.
O IBGE estimou a renda média do trabalho em R$ 3.790 por mês no trimestre até setembro. Houve variação positiva de 1% ante o período encerrado em junho (R$ 3.753).
O instituto, porém, considera o resultado como estabilidade. Isso ocorre porque a variação não foi significativa em termos estatísticos, permanecendo dentro da margem de erro da pesquisa.
O rendimento até setembro é o terceiro maior da série. Está 0,6% abaixo do recorde, verificado até março de 2026 (R$ 3.811).
O número de empregados no setor público renovou a máxima da série: 13,2 milhões. O IBGE citou contratações para funções como a de professor.
A quantidade de empregadores também alcançou o recorde da pesquisa, estimado em 4,5 milhões.
Conforme Kratochwill, o aquecimento do mercado e o crescimento dos negócios podem ter estimulado a migração de trabalhadores por conta própria (autônomos) para a figura de empregadores (com funcionários).
A divulgação desta sexta ocorre em um momento no qual o Brasil discute os eventuais impactos do fim da escala 6x1 —seis dias de trabalho e um de folga na semana. O término entra em vigor em meados de dezembro, e os efeitos tendem a variar de acordo com os setores .
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego analisados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, sinalizam que a 6x1 é mais comum em atividades ligadas ao turismo . São os casos de transporte aéreo, alojamento e alimentação.
Para a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, a Pnad mostra que a perda de ritmo da atividade econômica não se traduziu em aumento do desemprego até agora.
Segundo ela, o ritmo de criação de vagas deve diminuir nos próximos meses, acompanhando a desaceleração da economia.
Ainda assim, Moreno não vê sinais de piora significativa do mercado de trabalho. O C6 espera desemprego em torno de 5,5% ao final de 2026.
A desocupação caiu nos últimos anos em meio ao desempenho positivo da atividade econômica. Outra questão citada por especialistas é a mudança demográfica .
Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de buscar ocupação. Isso reduz a pressão da procura sobre a taxa de desemprego, mas desafia o sistema previdenciário , porque a demanda por aposentadorias tende a crescer.
O avanço da tecnologia também influencia os números. O Brasil tinha cerca de 2 milhões de pessoas exercendo o trabalho principal ou secundário por meio de aplicativos de serviços em 2025, conforme módulo anual da Pnad divulgado pelo IBGE em setembro .
Esse grupo reúne motoristas, entregadores e outros profissionais cadastrados em plataformas.