No sábado (24), Rebeca Andrade havia conquistado o ouro no salto sobre a mesa . Desta vez, foi a vez de Saraiva subir ao pódio. Ela partiu de uma nota 6,100 de dificuldade, com execução 8,200, obtendo total de 14,300. Teve um leve desequilíbrio em um mortal lateral e na saída da trave.
O ouro ficou com a argelina Kaylia Nemour, que partiu de 6,300 e teve ótima execução, 8,266. O total de 14,566 foi o mesmo da chinesa Zhang Qingyng, que partiu de 6,500 e registrou execução 8,066. O desempate, portanto, foi na execução.
A medalha foi a primeira de Flávia na trave em um Mundial. Em 2023, na Antuérpia, na Bélgica, ela já havia conquistado um bronze no solo e uma prata na disputa por equipes, ao lado de Rebeca, Jade Barbosa, Lorrane Oliveira e Júlia Soares. Seu currículo ainda tem um bronze por equipes nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris, na França.
"Lembro a menina de 16 anos em sua primeira final olímpica. E, mais de dez anos depois, obtive esta medalha na trave. A final é difícil, cada uma lutando por cada décimo. Fico feliz por ter batalhado pelo melhor. É uma honra representar o meu país e disputar entre as melhores", disse a atleta ao SporTV.
"A final não tinha muita estratégia. Era fazer a série com o maior nível de dificuldade possível, porque a gente viu notas muito altas na etapa classificatória e sabia que seria assim. Sei que poderia ter sido um pouquinho melhor naquele desequilíbrio no mortal lateral, mas tem o nervosismo também, o estômago daquele jeito, a gente ansiosa para fazer o melhor", acrescentou.
Na edição deste ano do Mundial, Saraiva esteve também na disputa por equipes e obteve a quinta colocação, ao lado de Rebeca, Lorrane, Sophia Weisberg, Thais Fidélis e Sophia Weisberg. Na outra final que teve atletas brasileiras, a individual geral feminina, Flávia ficou em 12º, e Lorrane, em 21º lugar. O Brasil ficou fora de todas as decisões masculinas.
"A gente sai bem satisfeito. Tivemos uma boa estratégia para a Rebeca, a Flávia entrou com coragem para esta final. A gente sai feliz, com um parâmetro do que pode fazer, sabendo que pode melhorar com esta equipe", afirmou Xico Porath, técnico do time verde-amarelo.
O Mundial de 2026 era considerado pelo treinador um passo importante no caminho para os Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. Um dos pontos era observar a situação do grande nome da ginástica brasileira, Rebeca Andrade, em seu retorno aos grandes torneios.
A maior medalhista olímpica da história do Brasil ficou cerca de um ano sem competir, para descansar o corpo e a mente, e decidiu não mais disputar a prova de solo, muito desgastante para seus joelhos. Cometeu erros na trave, porém mostrou sua qualidade para obter o tricampeonato mundial no salto, com sua décima medalha em Mundiais.
"O ouro mostrou que a gente tem feito as coisas da melhor maneira possível, está dando certo", disse a guarulhense de 27 anos, que ainda trabalha para recuperar o mais alto nível. "Não fiz os saltos mais difíceis da minha carreira, mas eles foram suficientes para trazer o ouro. Estou bem feliz e orgulhosa."