Derrota de Trump é vitória da abalada democracia dos EUA

Como sugeriam as pesquisas, a eleição de meio de mandato nos Estados Unidos produziu uma derrota para o Partido Republicano de Donald Trump . Elas não anteviram, entretanto, a magnitude da vitória da oposição democrata, que tomou o controle do Senado e da Câma

Por Admin ·

Derrota de Trump é vitória da abalada democracia dos EUA

Candidatos oposicionistas ao Congresso e a governos locais derrotaram republicanos em estados em que Trump e os seus eram considerados imbatíveis.

No caso mais vistoso, o do Texas, o senador eleito James Talarico tomou a cadeira do oponente para o Partido Democrata pela primeira vez em 40 anos. A campanha do rival, Ken Paxton, havia recebido mais de R$ 1 bilhão do multibilionário Elon Musk , que agora lançará seus foguetes de um estado de oposição.

O eleitor, nesse caso, quebrou a máxima de que o dinheiro compra todas as eleições americanas. Talarico também exemplifica a diversidade da vitória. Diferentemente da chamada bancada socialista, associada ao prefeito de Nova York , Zohran Mamdani , e tendo o senador eleito em Michigan, Abdul El-Sayed, como estrela, o texano é um moderado.

Isso demonstra que a oposição à Casa Branca tem mais tonalidades do que a esquerda gostaria, e insinua uma disputa sobre o pleito presidencial de 2028.

A petulância imperial do presidente, suas políticas odiosas e ataques institucionais lhe custaram votos, mas é presumível que a maior causa de seu revés seja o custo de vida exacerbado pela guerra contra o Irã . O conflito saiu de controle e elevou o preço dos combustíveis nos EUA, gerando um efeito cascata na economia já afetada pela guerra tarifária de Trump.

O mandatário tentou remediar com um polêmico acordo de compra de diesel de Vladimir Putin . Não deu certo. Agora resta saber como Trump usará seus dois meses com o Congresso na mão para lidar com o conflito iraniano e, de quebra, tentar acabar com a guerra europeia.

O republicano sentiu o golpe e até aqui não atacou a lisura do pleito —uma de suas marcas registradas, macaqueadas por seguidores como os do clã Bolsonaro. Há uma apuração mais séria em curso no Alasca de irregularidade atribuída aos democratas, mas nada que mude o resultado.

Em termos globais, é tentador associar o triunfo democrata a um refluxo na vaga populista que já varreu a América Latina, com exceções no Brasil e no México, e ameaça governos europeus.

Parece exagero, dadas as particularidades de cada país e as demandas de seus eleitores. Mais certo, no caso americano, é apontar para a virtude de um sistema de freios e contrapesos que vinha sendo erodido por Trump, mas demonstrou notável resiliência.

Nunca é demais lembrar, todavia, da impermanência do humor do eleitorado. A mesma nação que derrotou Trump havia dado, apenas dois anos atrás, vitória sólida aos republicanos . De todo, o mundo ora respira melhor.