A reeleição do petista foi projetada pelo Datafolha .
Flávio conquistou votos impulsionado, acima de tudo, pelo sobrenome, atestando que o antipetismo segue como uma força política capaz de mobilizar o eleitorado e levá-lo às urnas.
O filho de Jair Bolsonaro (PL) surpreendeu e terminou o primeiro turno com mais votos do que o petista . Seu entorno já ventilava possíveis nomes para um eventual governo, e Flávio falou em mudar a Constituição .
O campo progressista, porém, reagiu com uma forte mobilização nas ruas e nas redes (essa liderada pelo deputado federal André Janones ), revertendo o quadro de forma inédita e levando Lula à vitória.
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A expressiva votação de Flávio, assim como a da bancada do PL no Congresso , aponta para a continuidade, no próximo ciclo eleitoral, da demanda por um candidato que reúna as insatisfações em relação ao petismo e que abrace certas identidades associadas ao bolsonarismo, como a defesa de um modelo conservador de família, a organização da política em torno da fé e a primazia da esfera individual sobre a coletiva.
Resta saber quem irá liderar essa oferta. A reeleição de Lula anula a possibilidade de indulto presidencial para Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe em 2022 . Portanto, o ex-presidente deve continuar preso e impedido de voltar a encabeçar seu projeto político (exceto se o ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques , relator de uma revisão criminal apresentada pela defesa de Bolsonaro, colocá-lo em liberdade).
Derrotado, Flávio perde força para voltar a se cacifar como o herdeiro do grupo. Além disso, o senador é formalmente investigado no inquérito do Supremo que envolve o filme " Dark Horse ", que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O filho de Bolsonaro é alvo ainda de um pedido de inquérito que a Polícia Federal enviou ao STF para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo seu amigo, o advogado Willer Tomaz, também investigado no caso das fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), por sua vez, continua autoexilado nos Estados Unidos , de onde comemorou o tarifaço contra o Brasil no ano passado.
Ele também foi condenado pelo Supremo a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicialmente semiaberto, pelo crime de coação, por ter tentado, segundo a sentença, intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista que tentou manter seu pai no poder.
No começo de outubro, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena, o que torna muito improvável que Eduardo retorne ao Brasil ou volte a se candidatar, considerando a Lei da Ficha Limpa.
No clã Bolsonaro, sobra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que no último ano esboçou uma tentativa de alçar voo próprio —movimento que ficou mais escancarado em junho, quando publicou um vídeo roteirizado acusando Flávio de tê-la maltratado.
O atrito público foi um dos principais obstáculos da campanha do enteado, por ter posto em risco seu desempenho entre as mulheres, um grupo entre o qual já enfrentava dificuldades, assim como o pai. No fim, os dois fizeram as pazes publicamente , mas a madrasta não se engajou na candidatura de Flávio.
Segundo aliados, ela ficou decepcionada por Jair ter escolhido o filho. O nome da ex-primeira-dama era aventado para ocupar o lugar de vice de uma chapa presidencial liderada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que conquistou a reeleição com folga no primeiro turno .
A alta rejeição que envolve a família Bolsonaro —na véspera do segundo turno, 45% dos eleitores diziam que não votariam de jeito nenhum em Flávio , segundo o Datafolha— é um fator que contribui para que um nome fora da família assuma a dianteira da direita.