A denúncia foi feita pela mãe de um dos detidos, de 17 anos, e revelada pela coluna Mônica Bergamo , da Folha .
Derrite, ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo , havia compartilhado imagens da ocorrência nas redes sociais para parabenizar os policiais pelas prisões.
Questionado pela reportagem, ele defendeu que o caso seja investigado. "Isso tem que ser apurado", respondeu.
Derrite é o principal nome cotado para assumir o Ministério da Segurança Pública em caso de vitória de Flávio Bolsonaro ( PL ). Nesta sexta (23), o senador eleito deu entrevista à Folha ao acompanhar o presidenciável no embarque para compromissos de campanha no Rio de Janeiro.
Ao tratar da acusação feita pela mãe, o senador eleito ironizou: "na cadeia, está cheio de inocente".
Derrite afirmou que não havia percebido que os três detidos usavam camisetas iguais quando divulgou a ocorrência. Segundo ele, o objetivo da publicação foi elogiar a atuação da Polícia Militar e defender a redução da maioridade penal .
"Divulguei essa ocorrência sem fazer nenhuma menção à camiseta, aliás, nem tinha percebido a camiseta que eles estavam usando, para parabenizar a Polícia Militar e chamar a atenção de uma pauta que é de interesse da maioria da população ", disse.
Ao ser questionado se os policiais poderiam ter obrigado os detidos a vestir as camisetas, Derrite afirmou que a denúncia precisa ser apurada pela Corregedoria da Polícia Militar.
"Se isso aconteceu, isso é muito grave. Isso tem que ser esclarecido pela Corregedoria da Polícia Militar", afirmou.
O senador eleito, porém, evitou avaliar se o fato de os três detidos aparecerem com camisetas iguais levantava suspeitas sobre a conduta dos policiais. "Não. É juízo de valor. Aí é cada um", respondeu.
"Qualquer julgamento nesse sentido eu acho temerário. Mas tem que ser esclarecido. Agora, parabéns à Polícia Militar que prendeu três traficantes de drogas. E que os fatos sejam esclarecidos", completou.
Derrite aproveitou a ocorrência para defender a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos e equiparados, como o tráfico de drogas.
O caso aconteceu nesta quarta-feira (21), em Piracicaba, na favela Vitória Pantanal, no Jardim Monte Líbano. Na mesma data e na mesma comunidade, a deputada estadual reeleita Professora Bebel (PT) diz que PMs intimidaram e agrediram mulheres que entregavam materiais da campanha do PT.
Os agentes, segundo a deputada, teriam obrigado as mulheres a entregarem para eles camisetas em apoio a Lula que estavam vestindo.
A blusa usada por elas tinha estampa vermelha e os dizeres: Professoras e professores da Apeoesp com Lula. O modelo era o mesmo usado pelos homens detidos na data, segundo as imagens divulgadas por Derrite. Apeoesp é o sindicato dos professores do estado paulista.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo diz que foi instaurada uma investigação preliminar para apurar a denúncia.