Depois das urnas, o que fica?

Chegamos a este domingo (25) de eleição presidencial após três semanas que pareceram intermináveis.

Por Admin ·

Depois das urnas, o que fica?

O primeiro turno deixou um recado difícil de ignorar: o bolsonarismo é uma força política que ultrapassa a figura do seu principal líder e se sustenta mesmo diante de um adversário da dimensão de Lula —um estadista de projeção global e um dos maiores nomes da história política brasileira. A votação de Flávio Bolsonaro , quase 2,3 milhões de votos acima da de Lula, evidencia a capilaridade do bolsonarismo. Com o PL conquistando a maior bancada da Câmara desde 1986, fica claro que essa força se apoia em uma base social ampla, estrutura partidária e redes de comunicação capazes de mantê-la ativa para além das eleições .

É tentador atribuir esse fenômeno à desinformação, mas isso não seria correto. A direita bolsonarista soube articular conservadorismo moral, ressentimentos sociais, desconfiança das instituições e oposição aos direitos de grupos minorizados. Também encontrou terreno fértil numa cultura que valoriza a competição e responsabiliza os indivíduos pelo próprio sucesso ou fracasso. Nas redes sociais, a política ganha força ao produzir identificação, mobilizar emoções e criar pertencimento.

O segundo turno expôs uma desigualdade: os dois campos não partiram das mesmas condições de mobilização. Enquanto o bolsonarismo já dispunha de redes consolidadas, o campo de Lula precisou ampliar seu alcance em poucas semanas . Um exemplo foi o "Exército do Lula", canal de WhatsApp coordenado pelo deputado André Janones , que saltou de 50 mil participantes no primeiro turno para mais de 10 milhões às vésperas do final da campanha eleitoral . Janones identificou uma lacuna e agiu rápido: orientou seus "soldados" a compartilhar conteúdos, impulsionar publicações, promover hashtags e recrutar participantes, ampliando a rede e aumentando a intenção de votos no candidato do PT .