Democratas ganham força em estados decisivos nas midterms nos EUA

Os democratas estão à frente dos republicanos em quase todos os sete estados decisivos que determinarão qual partido controlará o Senado , segundo a última rodada de pesquisas do The New York Times e da Universidade Siena antes das eleições de meio de mandato.

Por Admin ·

Democratas ganham força em estados decisivos nas midterms nos EUA

As pesquisas constataram que os democratas têm vantagens expressivas no Texas, que não elege um democrata para o Senado desde 1988, e no Kansas, que não elege um desde 1932.

Para conquistar a maioria no Senado, os democratas precisam manter todos os assentos que ocupam atualmente e conquistar pelo menos quatro cadeiras hoje controladas pelos republicanos. A disputa tem sido vista como uma batalha difícil, porque muitas das cadeiras de que precisam estão em redutos republicanos.

Mas as novas pesquisas mostraram candidatos democratas à frente em cinco estados que hoje têm senadores republicanos e tecnicamente empatados em um sexto. Eles lideram no Kansas, no Maine, em Ohio e no Texas e têm uma pequena vantagem no Alasca. Em Iowa, estão tecnicamente empatados.

Em Michigan, o único dos principais estados decisivos na disputa pelo Senado cuja cadeira já é ocupada pelos democratas, a pesquisa mostrou o candidato democrata com vantagem de dois dígitos —ela foi realizada antes de uma disputa interna entre democratas eclodir em Michigan no último fim de semana. Os levantamentos não incluíram a Carolina do Norte, onde há muito tempo as pesquisas mostram o democrata na liderança e os republicanos reduziram os gastos de campanha.

A insatisfação com o presidente Donald Trump e a frustração com sua gestão da economia estão prejudicando os republicanos, segundo as pesquisas. Apenas 38% dos eleitores propensos a votar aprovavam o desempenho do presidente nos sete estados pesquisados —um índice surpreendentemente baixo, considerando que Trump havia vencido em cinco deles por margens de dois dígitos apenas dois anos atrás.

A nova força dos democratas foi impulsionada pelo aumento da confiança no partido para conduzir a economia —a principal questão que mobiliza os eleitores neste ano. Os democratas têm uma vantagem de nove pontos na questão do custo de vida no conjunto dos estados decisivos e lideram nesse indicador crucial em todos eles.

Se as pesquisas estiverem corretas e essas tendências se mantiverem, os democratas conquistarão o controle do Senado.

Mas havia alguns motivos de preocupação para os democratas: ainda há eleitores indecisos, e aqueles que tomaram uma decisão apenas no último mês favoreceram os republicanos por uma margem de nove pontos.

Na disputa pelo Senado no Texas, James Talarico, deputado estadual democrata , tinha sete pontos de vantagem sobre Ken Paxton, procurador-geral republicano do estado: 50% a 43% entre os eleitores com maior probabilidade de votar. Paxton tinha, de longe, a pior imagem entre todos os candidatos incluídos na pesquisa.

No Maine, a senadora Susan Collins, última republicana remanescente no Senado pela região da Nova Inglaterra, está atrás na tentativa de reeleição de Troy Jackson, ex-senador estadual democrata. Jackson lidera por 51% a 45% entre os eleitores propensos a votar.

Pesquisas não são perfeitas. Seis anos atrás, Collins aparecia atrás em todos os levantamentos anteriores à eleição —e venceu a reeleição com folga.

Mas as novas pesquisas revelaram uma série de claros sinais de alerta para os republicanos — tanto em relação a seus candidatos quanto ao ambiente político mais amplo.

Em todos os estados, exceto no Maine, o candidato democrata ao Senado era visto de forma mais favorável que o republicano.

Além disso, os eleitores propensos a votar estavam insatisfeitos, de modo geral, com a liderança de Trump e disseram acreditar que os democratas fariam um trabalho melhor no enfrentamento do custo de vida e das guerras no exterior, além de agirem de acordo com o que é melhor para as pessoas comuns.

Trump vem percorrendo intensamente estados republicanos numa tentativa de reanimar sua base nas últimas semanas antes do dia da eleição, mas as pesquisas sugerem que o entusiasmo pelo presidente está diminuindo até mesmo dentro de seu partido. Em Ohio, onde 82% dos republicanos aprovam o presidente, a parcela dos que o aprovam "enfaticamente" caiu para 51%, ante 63% em junho.

E, em uma pesquisa Times/Siena na semana passada, a disputa pelo Senado estava empatada na Carolina do Sul, estado fortemente republicano.

Uma vantagem fundamental dos candidatos democratas é que eles lideram entre os eleitores independentes em todos os estados pesquisados. Isso inclui Iowa, onde Josh Turek, deputado estadual democrata, estava tecnicamente empatado com a deputada federal Ashley Hinson, candidata republicana.

As pesquisas mostraram que a recuperação democrata foi impulsionada pelo fortalecimento do partido entre eleitores mais jovens e latinos, bem como pela relativa fraqueza dos republicanos junto à base partidária formada por eleitores brancos da classe trabalhadora.

Trump havia avançado entre eleitores latinos e mais jovens em 2024. Neste ano, porém, os candidatos de seu partido ao Senado conquistavam apenas cerca de um quarto dos votos dos jovens e dos latinos.

A perda de confiança nos republicanos em relação à economia — e em Trump, em particular — ajuda a explicar como os democratas conseguem ser competitivos em um estado como o Kansas. Trump venceu no Kansas pela maior margem entre os sete estados pesquisados, e o estado não elege um senador democrata há quase um século. Mas a alta do preço do diesel após a guerra com o Irã e a decisão do governo de eliminar tarifas de importação sobre a carne bovina estrangeira desagradaram aos agricultores.

Adam Hamilton, candidato democrata e pastor da maior igreja do estado, lidera sobre o senador Roger Marshall, republicano que busca a reeleição, por 49% a 44%.

Marshall enfrentou críticas depois que o New York Times noticiou que ele havia processado pacientes por dívidas médicas não pagas, o que levou a prisões em alguns casos.