Grande parte dos mesários e fiscais ouvidos pela Folha relatam que só ficaram sabendo da decisão do ministro após o encerramento das seções.
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A Folha visitou sessões eleitorais e colheu relatos obre o que aconteceu entre 17h e 19h.
Depois de enfrentar problemas com a frota de ônibus ao longo do dia, Salvador teve parte das urnas encerradas pontualmente às 17h, mesmo com a prorrogação do horário de votação.
Nas seções da Faculdade de Administração da UFBA (Universidade Fedetal da Bahia), no Vale do Canela, mesários e fiscais discutiam sobre o que fazer diante do impasse. Todas as urnas da faculdade já haviam sido lacradas.
Fiscais do PT pressionavam para abertura da votação em células, mas o chefe local afirmou que não havia urnas físicas disponíveis.
Fiscais do PL questionaram a falta de uma informação oficial do TRE sobre a prorrogação.
Depois de cerca de uma hora, os mesários receberam a orientação de permanecer no local até às 19h e registrar em ata os eleitores que nao conseguiram votar.
Na Faculdade de Administração, no prédio ao lado, a maior parte dos mesários já tinha deixado o local.
A comerciante Flaviane Braga, 49, foi uma das que não conseguiu votar. Ela passou o dia ajudando eleitores a chegar em seus locais de votação diante da crise nos transportes, e chegou no local de votação pouco depois das 17h.
"Eu vou votar. Se a lei disse que foi prorrogado, eu tenho direito de votar", afirmou a eleitora, que decidiu permanecer no local.
O TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal) disse que não foi comunicado oficialmente da prorrogação e que ficou ciente da medida por meio da imprensa, e não por notificação oficial vinda do Supremo.
O tribunal reiterou que, se a prorrogação tivesse sido comunicada com uma hora de antecedência, haveria tempo hábil para notificar os mesários e os presidentes das seções. "Com a informação após o horário de fechamento, não temos o que fazer", declarou a corte.
Na escola Elefante Branco, na Asa Sul de Brasília , 4 das 11 seções permaneceram abertas para votação após as 17h. As outras seções já haviam sido encerradas antes da decisão de prorrogação do prazo determinada pelo ministro. Segundo o administrador do local de votação, os presidentes das seções foram orientados pelo TRE-DF a fechar as urnas às 17h20.
A decisão de Zanin não foi cumprida em ao menos 12 escolas do Distrito Federal.
Em dois casos, a orientação de manutenção da votação foi comunicada às equipes que trabalhavam na sessão quando as urnas já estavam lacradas, o que impede que elas fossem reabertas.
A reportagem testemunhou uma eleitora que chegou ao CEUB da Asa Norte, em Brasília, após as 17h, mas não conseguiu votar. Ela foi informada que as urnas já estavam lacradas e orientada a procurar a Justiça Eleitoral.
Em outro colégio, na Asa Norte, as urnas estavam inclusive já sendo transportadas para o Tribunal Regional Eleitoral. Além disso, o TRE do DF disse, por meio de sua assessoria, que não houve tempo hábil para cumprir da decisão de Zanin.
As seções de votação foram parcialmente reabertas em uma outra escola na Asa Norte. Mas, uma vez que as urnas são fechadas, o sistema impede que voltem a ser utilizadas. Parte dos presidentes da seção e dos mesários já tinham saído do local, antes da prorrogação de horário. Assim, os eleitores que chegar ao local dentro do prazo extendido ainda assim não puderem votar.
Mesários se dividiram entre comemoração e indignação após serem liberados por volta das 18h na Escola de Referência Jornalista Trajano Chacon, no Cordeiro, zona oeste do Recife.
O mesário e advogado Júlio Gonzaga, de 29 anos, lamentou que as urnas não tenham sido reabertas após o fechamento às 17h.