Isto explicava o que chamei de decisionismo trumpista , inaugurado em 2025, e que incluía iniciativas estapafúrdias em franco contraste com seu primeiro mandato. Trump enxergava a primeira metade do seu mandato como uma janela de oportunidade única. E sim, claro, seria seu mandato derradeiro!
Alertei que, em dois anos, haveria midterms , quando certamente haveria reviravoltas e as maiorias com que contava desapareceriam. E também que as bravatas e ações unilaterais causariam enorme estresse na democracia americana. "O tiro pode sair pela culatra!". Se acertei no diagnóstico geral —que se baseia em achados da literatura— não previ ou esperei o tsunami azul que viria.
Ele foi deflagrado pela alta do custo de vida em virtude de duas guerras e pela política de tarifas ; e alimentado pelas truculências do ICE junto à população latina , o redesenho descarado dos distritos eleitorais contra minorias, da corrupção empresarial no círculo presidencial etc. Forjou-se uma coalizão inédita, reunindo interesses e grupos de estados agrícolas afetados pelas tarifas/combustíveis, onde Trump concentrava apoios, e das áreas metropolitanas.
Sim, o desenho institucional nos EUA cria fortes restrições a uma concentração de poder. Foi forjado pelos pais fundadores com este objetivo. As midterms —mantidas ainda apenas no México e Argentina em nossa região— têm exatamente o propósito de impedir que se formem maiorias estáveis. Desde 1981, o país tem tido "governo dividido" —quando pelo menos uma casa é controlada pela oposição— 71% do tempo. A forma modal de governos nos EUA desde 1946 é assim: o controle das duas casas pela oposição.
De ditador acidental a 'Mr.Veto'
Quando Trump tomou posse, argumentei que ele governaria sob uma combinação extraordinária de circunstâncias: contava com maiorias no Senado e na Câmara (lembrar que Bush e Reagan governaram com a oposição controlando ambas as casas!). E também na Suprema Corte