A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) firmou um acordo de exclusividade de dez dias com a chinesa Huaxin Building Materials para a venda da CSN Cimentos. O valor da operação ficou em R$ 12,7 bilhões, o que inclui o montante desembolsado pela compradora somado às dívidas da companhia.
Em fato relevante divulgado nesta sexta-feira, a CSN informou que o prazo do acordo tem como objetivo a assinatura de documentos definitivos da venda, o que segundo a empresa deve acontecer "em duias".
"A Huaxin apresentou a proposta mais vantajosa para aquisição da CSN Cimentos no âmbito do processo competitivo lançado em março de 2026", diz o documento.
A venda da CSN Cimentos é parte da estratégia da CSN para reduzir seu endividamento , que encerrou o segundo trimestre em R$ 42,13 bilhões em dívida líquida e alavancagem de 3,49 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, imposto, depreciação e amortização). O indicador mostra o quanto uma empresa depende de dívida para financiar suas operações: quanto mais elevado, maior o risco financeiro.
No início do mês, a CSN fechou um acordo vinculante de dez semanas para a vender sua siderúrgica Stahlwerk Thüringen (SWT), na Alemanha, para a espanhola Bipadosa S.L. O negócio é cotado em € 550 milhões (R$ 3 bilhões).
Analistas da XP avaliam que a transação alivia as preocupações de curto prazo da CSN com seu balanço patrimonial. Eles calculam que a venda da CSN Cimentos reduziria a dívida líquida da controladora para R$ 29,4 bilhões.
"As vendas de ativos continuam sendo um componente crítico do plano de desalavancagem da CSN, dadas as significativas necessidades de caixa do grupo. Nesse contexto, o avanço na CSN Cimentos representa um passo importante para reduzir a assimetria negativa da tese, particularmente em meio a um cenário mais desafiador para o minério de ferro e o mercado doméstico brasileiro", diz o documento.
Relatório do Citi também avalia a venda da CSN Cimentos como positiva.
"O desinvestimento apoia a desalavancagem da CSN; no entanto, dado o atual cenário de taxas de juros mais altas no Brasil e as revisões para baixo na CSN Mineração, acreditamos que a empresa continuará a buscar a desalavancagem de seu balanço patrimonial", destacaram os analistas.