Cruzeiro abandona 200 passageiros no Camboja

Cerca de 200 passageiros que pagaram para morar em um cruzeiro enquanto viajavam pelo mundo foram abandonados em um porto do Camboja depois que a empresa ficou sem dinheiro, informaram autoridades locais nesta quarta-feira (28).

Por Admin ·

Cruzeiro abandona 200 passageiros no Camboja

A operadora Villa Vie Residences, com sede nos Estados Unidos , anunciou na terça-feira (27) que havia "suspendido suas operações no Camboja" enquanto tentava lidar com os "aumentos extraordinários" nos custos de combustível devido à guerra com o Irã .

O Odyssey, um navio de cruzeiro de 200 metros, partiu da Irlanda do Norte em outubro de 2024 para uma viagem permanente, em que os residentes podiam comprar ou alugar cabines para passar férias ou morar pelo resto da vida. Alguns passageiros venderam todos os seus bens para pagar pela experiência.

Mas, durante uma escala programada no porto cambojano de Sihanoukville, os viajantes tiveram apenas sete horas para arrumar seus pertences e deixar o navio, afirmou Long Dimanche, vice-governador da província de Preah Sihanouk, no sul do país.

Em comunicado, ele informou que 203 passageiros e 156 tripulantes chegaram em 23 de outubro a bordo da embarcação —vinda da Tailândia e com bandeira das Bahamas — e deveriam seguir viagem para o Vietnã .

"A ordem repentina de desembarque deixou muitos aposentados e trabalhadores remotos sem ter onde morar, a milhares de quilômetros de seus países de origem", disse o vice-governador.

Alguns passageiros pegaram voos para deixar o país, enquanto outros permaneceram na cidade, acrescentou a autoridade, explicando que o cruzeiro pretendia reabastecer e zarpar em 31 de outubro.

Randy Cassingham, passageiro do Odyssey que mantém um blog sobre cruzeiros, escreveu que a ordem de desembarque ocorreu após uma "sucessão de problemas" e afirmou que a empresa não fazia "absolutamente nada para ajudar" os passageiros retidos.

A empresa, no entanto, afirmou em comunicado que estava "trabalhando com os residentes para coordenar o desembarque e encontrar soluções de hospedagem temporária".

Segundo a Villa Vie, os gastos mensais com combustível por cabine haviam subido de cerca de US$ 1.800 (R$ 9.600) para um valor estimado entre US$ 6.000 (R$ 32 mil) e US$ 8.000 (R$ 42 mil) em algumas regiões da Ásia .

"A empresa não pode simplesmente repassar aumentos dessa magnitude aos residentes, e o déficit resultante submeteu seu atual modelo operacional a uma pressão financeira insustentável", argumentaram os representantes da operadora.