A ofensiva, no entanto, em nada muda a incerteza que paira no ar. Além do Brasil, outras democracias do Ocidente, de um jeito ou de outro, estão enfrentando esse debate fiscal. Cada país com sua particularidade.
Reeleito, Lula tem hoje um problema real imediato: precisará sinalizar mais previsibilidade . Se vai fazer um ajuste mais pelo lado da receita ou pelo lado da despesa, ou uma mistura das duas opções. Se vai ser rápido ou devagar, se adotará o gradualismo ou nem isso.
A primeira sinalização a ser feita será fechar o Orçamento de 2027 . Essa é a mais urgente.
Para o ano que vem, o governo Lula 3 prometeu um superávit de 0,13% do PIB (R$ 18,6 bilhões) no projeto de Orçamento de 2027. Ao mesmo tempo, o governo projetou um déficit de 0,59% do PIB (R$ 80,9 bilhões) para este ano no último relatório de avaliação de receitas e despesas.
Se confirmado pelo Congresso na votação do Orçamento, esse cenário exigirá um ajuste de quase R$ 100 bilhões no primeiro ano de Lula 4.
O problema é que o mercado não acredita. O mercado espera um déficit de 0,4% do PIB em 2027.
Não é pouca coisa. Para o mercado financeiro, é gradualismo diante do crescimento da dívida pública .
Para o governo, será um baita ajuste num ano em que a economia está desacelerando, com inflação subindo e com quatro problemas pela frente: preço do petróleo, El Niño , incerteza da reforma tributária e redução da jornada de trabalho .
O mercado sempre vai querer mais. O pessoal da esquerda, do PT raiz, quer menos do que a equipe econômica prometeu e do que Lula assinou ao enviar o Orçamento.
Essa discussão é ingrediente da disputa em torno do nome do futuro ministro da Fazenda .
Todo mundo sabe como resolver o problema fiscal, mas não tem nenhum consenso político sobre como fazê-lo. É o que está em jogo.
Cruzada nas redes contra juros altos não muda necessidade de ajuste
A polêmica em torno do plano do economista André Lara Rezende ajudou a impulsionar nas redes sociais a visão de petistas de que, com a vitória de virada do presidente Lula nas eleições, dá para fazer uma cruzada contra a alta dos juros nos moldes do exército d