Desde o início da campanha, em 16 de agosto, até o primeiro turno, no último dia 4, a corte eleitoral havia se mantido a maior parte do tempo ofuscada pelas disputas internas que tomaram palco no STF (Supremo Tribunal Federal) em decorrência do escândalo do Banco Master , de Daniel Vorcaro .
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Até então, integrantes das campanhas do presidente Lula ( PT ) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) vinham classificando a atuação do TSE como equilibrada. Havia ressalvas apenas a algumas decisões, como a ordem da ministra Estela Aranha que beneficiou o petista e proibiu a TV Globo de mostrar seu púlpito vazio no debate –depois cancelado.
Levantamento da Folha publicado após o primeiro turno, por exemplo, mostrou que o tribunal presidido por Kassio, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deu mais vitórias a Lula do que a Flávio Bolsonaro no período.
Na segunda etapa do pleito, porém, a disputa jurídica entre as campanhas ganhou novos contornos, e o TSE virou o foco de atritos entre os próprios ministros e as campanhas dos presidenciáveis. O tribunal também se viu diante de acusações das equipes de Lula e de Flávio de que as big techs, especialmente a Meta, estariam favorecendo um ou outro candidato.
Parte das decisões controversas foi tomada em relação ao canal "Exército do Lula" no WhatsApp, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que se incumbiu de ampliar a tropa digital do atual presidente . O grupo, que tinha cerca de 2 milhões de inscritos até 7 de outubro e agora acumula 10 milhões, virou alvo da equipe jurídica liderada pela ex-ministra Maria Cláudia Bucchianeri e chegou a ser atendido por Kassio .
A retirada do canal do ar abriu uma guerra de decisões sobre o tema. Isso porque, antes de Kassio suspender o grupo, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, já havia negado a medida. Cueva, então, deu uma nova decisão restabelecendo o canal, o que foi mais uma vez revertido por Kassio .
Depois da censura, o presidente do TSE determinou que o canal só poderia voltar a funcionar se fosse registrado no tribunal pela equipe de Lula.
O petista assim procedeu, mas o grupo só voltaria ao ar 48 horas depois. A retomada foi antecipada pelo ministro depois que a campanha de Lula pediu à corte eleitoral tratamento igual ao canal "Tropa do Flávio" e retirá-lo do ar pelo mesmo prazo.
Nesta sexta (23), um terceiro ministro, Floriano de Azevedo Marques, foi envolvido no caso. Ele determinou que uma eventual nova derrubada do "Exército do Lula" só poderia ser analisada pelo plenário da corte. A decisão foi dada em caráter preventivo, a partir de pedido da campanha petista, que temia uma nova investida de Kassio.
Também passou a circular, dentro do TSE, uma minuta de resolução para bloquear todos os canais de WhatsApp com mais de 200 mil usuários nas 48 horas anteriores à eleição, o que atingiria o "Exército do Lula". A minuta foi endossada por Kassio e por André Mendonça , vice-presidente do tribunal.
O vazamento da informação causou desconforto até mesmo em Mendonça, principal aliado do presidente da corte. Na atual composição, os dois e Dias Toffoli têm estado alinhados. Bôas Cueva, Sebastião dos Reis Júnior, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha também integram o tribunal.