25/10/2026 04h30 Atualizado 25/10/2026 04h30
Sem nuggets no jantar. Quando seu filho perguntar qual é o prato, você pode dizer que ele vai comer o Chico. Segundo cientistas da Universidade SWPS, na Polônia, dar nomes para as galinhas pode fazer com que as crianças deixem de comer aves.
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Dar nomes aos animais, criar histórias, descrever seus hábitos favoritos podem fazer com que crianças escolham carne com menos frequência.
"Essa sensação de singularidade incentiva as crianças a estenderem sua preocupação a outros membros anônimos da mesma espécie", disse a autora Aleksandra Rabinovitch.
O estudo envolveu crianças de cinco e seis anos. Os pesquisadores realizaram dois experimentos: no primeiro, as crianças tiveram acesso a uma história sobre uma galinha. Souberam seu nome, detalhes sobre seus alimentos favoritos e hábitos diários.
"Este é Lelek, o único galo de sua espécie no mundo, Lelek vive no galinheiro com outras galinhas. A comida favorita de Lelek são os grãos; sempre que sente o cheiro, ele cacareja alegremente. Lelek gosta de correr pelo quintal com os outros pintinhos, tomar sol e bicar a grama", disseram os pesquisadores às crianças.
Em seguida, as crianças foram questionadas sobre o animal e convidadas a fazer seus próprios sanduíches de brinquedo usando ingredientes como frios de frango e porco, fatias de queijo e tomate.
A análise mostrou que personalizar um frango reduziu a disposição das crianças em comer aves, com os pequenos escolhendo menos fatias de frango e demonstrando maior relutância em comer a ave depois de aprenderem sobre seu nome, hábitos e comidas favoritas.
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Um segundo experimento consistiu em apresentar às crianças uma galinha única chamada Chico, uma galinha descrita como uma entre muitas aves semelhantes, ou galinhas em geral.
Os resultados do experimento mostraram que as crianças que ouviram o nome da galinha tinham menos probabilidade de escolher as aves para consumo.
No entanto, a preocupação com um animal não se traduziu numa rejeição generalizada da carne. Crianças que criaram laços afetivos com uma galinha eram menos propensas a escolher aves, mas não menos dispostas a comer carne de porco.
Os pesquisadores também revelaram que o efeito se limitou, em grande parte, as crianças que não eram previamente entusiastas do consumo de carne. Aqueles que gostavam de comer carne, por exemplo, não se comoviam com histórias sobre animais de fazenda com nomes específicos.
"No geral, as descobertas sugerem que, embora a identificação do animal possa reduzir a intenção das crianças de consumir carne, seu impacto é moderado por preferências alimentares preexistentes", afirmou a equipe.
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A nutricionista Priscilla Primi diz que não acha uma boa estratégia esse "terrorismo nutricional".
— Nós somos onívoros, comemos de tudo e isso faz parte da nossa evolução. Em um ambiente em que temos a possibilidade de comer qualquer tipo de alimento, essa barreira de dar nome ao animal pode surgir uma recusa e aversão alimentar sem necessidade já que comer carne faz parte do hábito alimentar do brasileiro — explica.
Primi diz ainda que o veganismo ou o vegetarianismo pode ser adotado por crianças, desde que com algumas orientações nutricionais, como por exemplo, em relação à vitamina B12.
— Ela é uma vitamina importante para a geração de energia e a maior fonte delas é nas carnes de origem animal. Além dela, o cálcio, que também é muito importante para o desenvolvimento e para o crescimento dos ossos. E a maior fonte dele está nos leites e derivados. Mas com uma orientação nutricional adequada, é perfeitamente possível a criança ser vegana ou vegetariana — diz Primi.
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