Resultante da junção de cinco companhias ferroviárias que acumularam décadas de déficits financeiros, a estatal paulista foi instituída por meio da lei n.º 10.410/SP, que completa 55 anos de sua assinatura na quarta-feira (28), com o objetivo de estancar o rombo nas contas e permitir o desenvolvimento das linhas férreas em São Paulo.
A vida da sociedade de economia mista pertencente ao governo estadual, porém, foi breve, e 26 anos depois ela deixou de existir, quando São Paulo a entregou ao governo federal para abater parte da dívida com a União.
A Fepasa nada mais foi que a união sob um mesmo guarda-chuvas da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, da Estrada de Ferro Sorocabana, da Estrada de Ferro Araraquara e da São Paulo-Minas. Todas estavam quebradas financeiramente.
A estatal foi criada pelo ex-governador Laudo Natel (1920-2020), que no início das atividades da companhia disse que a unificação das ferrovias eliminaria o deficit ferroviário em São Paulo, "liberando para o estado uma grande capacidade de investimento, a ser usada na própria expansão e melhoria de nossas estradas de ferro".
A ideia era racionalizar o sistema e colocar as ferrovias em condições de competir com as rodovias no mercado de fretes. O que se viu, porém, foi uma sucessão de problemas e desinvestimentos gradativos.
Surgidas a partir da década de 1870 —acumularam, portanto, quase um século de história ferroviária até a criação da Fepasa—, as cinco companhias tinham 6.510 quilômetros de linhas férreas, 650 locomotivas, 18 mil vagões, 1.500 carros de passageiros e 43 automotrizes (com autopropulsão, que não precisam ser levadas por outra máquina) quando a Fepasa surgiu.