Congresso dos EUA terá recorde feminino e ao menos 24% de mulheres democratas

O Congresso dos Estados Unidos terá recorde de parlamentares mulheres em 2027. É a segunda marca de representação feminina nas eleições de meio de mandato, que registraram o maior número de governadoras da história , 17 (34% do total).

Por Admin ·

Congresso dos EUA terá recorde feminino e ao menos 24% de mulheres democratas

Até a publicação deste texto, 155 mulheres já tinham presença garantida no próximo Congresso, o equivalente a 29% das cadeiras. O maior contingente até então era o da atual legislatura, de 152.

Considerando que algumas disputas seguem indefinidas, mas têm mulheres como candidatas dos dois principais partidos, o número deve aumentar para, no mínimo, 158. Apesar do avanço, o número está abaixo da proporção de mulheres na população do país, de 50,9%.

Até agora, a distribuição para 2027 é de 130 mulheres democratas (24,3%) e 25 republicanas (4,6%), segundo o CAWP (Centro de Estudos sobre Mulheres e Política, na sigla em inglês), da Universidade Rutgers.

Ao todo, 31 parlamentares são negras (5,8% do total), uma unidade acima do patamar da eleição de 2024 (30). O número também pode mudar até o fim da apuração. A presença de latinas, de 26 até agora, supera a marca atual, de 21, assim como a de indígenas, que está em 3, ante a maior marca anterior, de apenas duas, em 2019.

Na Câmara, 132 mulheres foram eleitas até agora (30,3%), acima do recorde anterior, de 127, registrado em 2024. A proporção é superior à da Câmara dos Deputados brasileira, que tem 21,2% de representação das mulheres. A presença de democratas é a maior da história, de 114 (26%), 6,3 vezes a de republicanas, que ocuparão 18 cadeiras.

A derrota esmagadora do Partido Republicano afetou o número de mulheres desse campo: elas ocuparam quase 8% da Casa (índice que já era baixo) e representarão menos de 4% (3,9%) no próximo ano. Até a publicação deste texto, a disputa dava 253 cadeiras ao Partido Democrata e 155 aos Republicanos na Câmara.

Os dados são do CAWP e da organização americana Joint Center for Political and Economic Studies.

Das eleitas na Câmara, 35 não ocupavam o cargo anteriormente, sendo 33 democratas e 2 republicanas. Desse grupo de novas deputadas, cinco são negras e nove são latinas. Casos da socialista Melat Kiros, 29, primeira mulher negra eleita para o Congresso pelo Colorado e, segundo a imprensa americana, a primeira parlamentar da geração Z, e de Denise Powell, primeira latina eleita pelo Nebraska.

No Senado, 23 mulheres garantiram um assento em 2027 (23% do total). Delas, 16 são democratas e 7 republicanas. Na eleição de 2024, foram 27, o maior registro até então.

Além do tsunami azul sobre o partido do presidente Donald Trump , as eleições de terça (3) também foram marcadas por ineditismos de diversidade .

Os Estados Unidos terão, pela primeira vez, uma mulher negra (Keisha Lance Bottoms, eleita na Geórgia) e uma mulher indígena (Debra Haaland, vencedora do Novo México) a governar estados, o primeiro senador muçulmano (Abdul El-Sayed) e o primeiro homem abertamente gay eleito senador (Chris Pappas).

O número de líderes negros nos governos estaduais também cresceu: serão cinco governadores em 2027, sendo que nunca dois negros ocuparam esses cargos no mesmo momento.

Ohio, Tennessee, Minnesota e Texas terão mulheres no comando pela primeira vez. Dos 50 estados americanos, os 17 que terão mulheres no comando são Virgínia, Nova Jersey, Texas, Rhode Island, Oregon, Ohio, Nova York, Novo México, Minnesota, Michigan, Maine, Massachusetts, Geórgia, Arizona, Tennessee, New Hampshire e Arkansas. Desse total, 14 serão governados por democratas e três por republicanas.

O número pode aumentar, já que duas cadeiras dos Executivos estaduais continuam em disputa. No Kansas, a democrata Cindy Holscher lidera em votos sobre o republicano Ty Masterson, 50,3% contra 49,7%, com 99% das seções apuradas. Holscher já declarou vitória, mas a contagem ainda não foi finalizada.

No Alasca, o democrata Jonathan Kreiss-Tomkins lidera com 49,1% e deve derrotar a republicana Bernadette Wilson.