O movimento Lista Estudantil nasceu de uma tragédia, começou com estudantes bloqueando ruas e passou a promover protestos quase diários contra a corrupção e a negligência do governo.
Em pouco menos de dois anos, os estudantes conseguiram transformar o país e acabar com o domínio político de Vučić, que viu o apoio ao seu partido, o Partido Progressista Sérvio (SNS), diminuir e, por fim, fracassar no que se tornou um referendo sobre o futuro da Sérvia.
De Belgrado às cidades de Novi Sad e Nis, o clima era de euforia, com apoiadores reunidos nos centros das cidades ou em frente à sede da Lista Estudantil. Em uma publicação nas redes sociais, os estudantes declararam: "A Sérvia foi libertada".
O ato mais simbólico de todos foi o fim do chamado Ćaciland, um acampamento pró-Vučić montado há 18 meses no Parque dos Pioneiros, no centro de Belgrado, em frente ao Parlamento sérvio. As cercas de metal foram derrubadas em meio a gritos de "Vučić está indo embora".
O movimento —cujo nome é "Lista Estudantil - Estudantes Vencem"— não tem líderes óbvios nem experiência política. Ainda assim, ele atraiu eleitores antigoverno em toda a sociedade sérvia.
Eles apresentaram candidatos para todas as 250 cadeiras parlamentares, mas nenhum estudante concorreu.
Ao se juntar aos estudantes que marchavam em direção a Belgrado na semana passada, o principal candidato, o cardiologista Ilija Srdanović, disse que a história estava sendo reescrita: "A energia é imparável".
"Oferecemos aos nossos cidadãos os valores fundamentais de uma sociedade civilizada, que o regime anterior lhes tirou pela última vez", disse ele à BBC.
Tudo começou em 1º de novembro de 2024, quando a cobertura de concreto desabou em frente à estação ferroviária de Novi Sad, a segunda maior cidade da Sérvia, matando 16 pessoas.
A tragédia foi vista como emblemática da corrupção generalizada - já que o próprio presidente esteve envolvido no desastroso projeto de reforma da estação.
"Quando a cobertura desabou, foi a gota d'água", diz Helena Ivanov, do centro de estudos Henry Jackson Society.