O clima, as praias e a paisagem semelhantes ao país natal de Machado atraíam a elite dos Estados Unidos principalmente durante a época mais fria no resto do país. John D. Rockefeller, o primeiro bilionário da história dos EUA, e Henry Ford, o segundo, além de figuras como o mafioso Al Capone, aproveitavam o boom imobiliário na Flórida para comprar mansões na região.
Eram condições favoráveis a Gerardo Machado, que evitava voltar a Cuba , mesmo que a ilha estivesse a uma hora de avião de Miami. O ex-ditador era alvo de mandados de prisão por suspeita de assassinato e desvio de dinheiro público.
Machado morreria pouco depois, em 1939. Mas abriria as portas para uma sequência de líderes políticos que fariam da cidade o principal reduto da direita latino-americana fora de sua região geográfica: o também ex-ditador cubano Fulgêncio Batista, o general venezuelano Marcos Pérez Jiménez, o ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli e, mas recentemente, o oposicionista do chavismo Juan Guaidó , que se autoproclamou presidente venezuelano e foi reconhecido pelos EUA.
Logo, não é coincidência que, nesta mesma cidade, Flávio Bolsonaro, investigado por lavagem de dinheiro e corrupção, tenha aportado na quarta-feira (28), dias após a confirmação de sua derrota eleitoral para Lula. O senador descumpriu uma ordem judicial de entrega de passaportes e protagonizou uma fuga cinematográfica, cruzando a fronteira terrestre com a Argentina para embarcar em um avião fretado que, após uma escala no Equador, o levou até a Flórida.
Ao chegar, divulgou uma nota golpista se autodeclarando "presidente eleito", numa emulação da atitude tomada por Guaidó em 2019. Flávio logo voltou atrás e trocou o termo por "líder do Brasil". Curiosamente, o venezuelano assinou uma declaração, com outros líderes da direita como o ex-presidente argentino Maurício Macri, reconhecendo a vitória de Lula.