27/10/2026 03h30 Atualizado 27/10/2026 09h44
“Pessoal, urgente”, “explode” e “missão do dia” estiveram entre as frases mais repetidas pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) nos 20 dias que separaram o primeiro do segundo turno. No comando do canal de WhatsApp Exército do Lula, ele organizou a atuação da militância a favor da reeleição do presidente e passou a disputar espaço na arena on-line contra apoiadores do candidato derrotado do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, numa movimentação vista como decisiva para a vitória.
'A juventude pode mudar o mundo' : Palco da primeira manifestação pró-Lula no 2º turno, UFF tem ato de vitória em Niterói 'Erradicar a ameaça fascista' : Janones se põe à disposição da esquerda mundial em interação com ex-presidente colombiano
O grupo no aplicativo de mensagens, criado para concentrar as instruções para a esquerda, chegou a mais de 10 milhões de seguidores ao ser alimentado diariamente por missões fixadas pelo deputado. Com essa estratégia, os apoiadores do presidente se mobilizaram em um campo dominado pelo bolsonarismo, que se organizou nas redes sociais na última década.
Ao término da apuração no domingo, a mobilização digital liderada por ele foi tratada como decisiva para a virada de Lula e foi elogiada pelo presidente no seu primeiro discurso após a vitória.
— Eu quero aproveitar o meu general Janones aqui e dizer o seguinte, eu duvido que a Rússia, que a China e que os Estados Unidos tenham um exército vitorioso como o exército da democracia desse país — disse Lula, que chegou a participar de lives com ele.
Lula discursa após conquistar quarto mandato como presidente
Janones negou o título de “o cara da virada” e disse que apenas “canalizou a energia de Lula” na campanha. Janones, no entanto, se pôs à “disposição da esquerda mundial para combater a extrema direita e erradicar de uma vez por todas a ameaça fascista” num post em resposta ao presidente colombiano Gustavo Petro, que elogiou sua atuação.
A estratégia ajudou a emplacar e hashtags, além de buscas no Google por termos relacionados ao caso Ana Clara e a outros episódios negativos de Flávio. Pelo Exército, Janones estimulou a ida de apoiadores às ruas e criou trends replicadas em massa, como a voltada para a publicação de fotos de eleitores fazendo o “L” e usando a camisa verde e amarela associada aos bolsonaristas.
Lauro Jardim: PF apura se Flávio Bolsonaro teria deixado o país rumo aos EUA
Antes de assumir a liderança da mobilização digital, Janones foi reeleito para a Câmara com 78.119 votos. O resultado, no entanto, representa uma queda expressiva em relação ao total conquistado em 2022, quando foi o segundo mais votado para a Casa em Minas Gerais, com 238 mil votos. Na primeira vez que foi eleito, em 2018, ele teve 179 mil votos, puxados por sua atuação durante a greve dos caminhoneiros. Mesmo sem ser da categoria, ganhou projeção com lives para a divulgação de atualizações da paralisação.
Janones foi trocador de ônibus no período em que estudava Direito como bolsista. Formado, ficou conhecido por atuar de graça como advogado para pacientes que buscavam atendimento no SUS em Ituiutaba (MG), onde concorreu à prefeitura em 2016. Quatro anos depois, já na Câmara, chamou atenção nas redes por uma campanha que defendia a manutenção do valor de R$ 600 do auxílio emergencial pago na pandemia.
Bela Megale: Flávio Bolsonaro ainda não entregou passaporte; prazo termina nesta manhã
Dois anos depois, em 2022, foi pré-candidato à Presidência pelo Avante, mas desistiu da disputa para apoiar Lula, apostando em sua forte presença digital em defesa do petista. Na época, o comportamento combativo chegou a preocupar membros da equipe Lula, que consideravam que a postura dele poderia prejudicar a imagem de “moderação” construída para o candidato, na tentativa de atrair votos do centro e de indecisos. Janones teve as redes s monitoradas, publicações derrubadas pelo Tribunal Superior Eleitoral e foi proibido de associar o ex-presidente Jair Bolsonaro ao ataque promovido pelo ex-deputado Roberto Jefferson a policiais federais. Após a vitória de Lula, em livro no qual narrou os bastidores da campanha, ele admitiu ter divulgado mentiras para “desestabilizar” o candidato do PL.
Depois da atuação considerada polêmica, o deputado ficou de fora da composição do governo, mantendo-se na base de Lula na Câmara. Durante esse período, foi alvo de um pedido de cassação de seu mandato em 2024 por uma denúncia de “rachadinha” no gabinete, assumida num acordo de não persecução penal assinado com a Procuradoria-Geral da República. No ano seguinte, o Conselho de Ética da Câmara suspendeu Janones por três meses por ele ter se referido ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como “Nikole” e “chupetinha” num discurso na tribuna.
Dani Balbi (PCdoB) vai encaminhar queixas ao Ministério Público do Trabalho pelo WhatsApp
Maioria de deslocados são mulheres e crianças, que buscam segurança em casa de conhecidos ou em alojamentos temporários no país vizinho
Promoção vai acontecer em bares selecionados do Brasil até o dia 29 de novembro
Levantamento divulgado pela Corte mostra que 95% das seções eleitorais de todo o País já haviam sido fechadas até às 17h10 do domingo
Audiência convocada pelo ministro Fux vai debater o tema no dia 3
Governador de São Paulo publicou vídeo no qual agradeceu a eleitores pelos votos em Flávio Bolsonaro, critica 'interferência do Judiciário' e 'uso da máquina', e cita desejo do brasileiro 'projeto de país'
Segundo as investigações, vítima sofreu crimes sexuais por anos. Philip Young, de 50 anos, se declarou culpado no início deste ano
Este quiz foi produzido pelo projeto Irineu, a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.