Depois disso, passei a comprar sempre com o mesmo açougueiro. Chame-o pelo nome e deixe uma caixinha quando der. Em troca, ele separa a melhor peça, faz uma limpeza mais caprichada e avisa quando chega uma promoção. Ter um açougueiro preferido faz o dinheiro render. Só não peça para tirar toda a gordura. Muita gente pede para "limpar bem" e perde a capa que protege a carne na brasa e dá sabor.
E pergunte sem vergonha. Se pedir picanha, pergunte se a peça termina na terceira veia. Quem conhece o cliente pelo nome não tem por que empurrar coxão duro no lugar dela.
Compre a carne antes da véspera de feriado e do fim de semana. Nesses dias o balcão fica lotado, e o açougueiro tem menos tempo para escolher a peça e cortar com cuidado.
No supermercado , olhe a etiqueta. Os produtos que acabaram de chegar ficam no fundo da prateleira, mas na carne embalada a vácuo a mais nova nem sempre é a melhor escolha. Dentro da embalagem, ela continua maturando, e o auge fica entre 14 e 21 dias depois da produção . Antes disso, a carne ainda está rígida; depois, começa a ficar ácida.
A validade também conta. Carne em promoção com a validade no fim pode valer a pena se for para a brasa no mesmo dia, mas não para estocar.
Carne de bandeja eu não indico, porque é a mais manipulada e tem mais risco de contaminação. Prefira comprar a peça e pedir para cortar na hora, em bifes ou em cubos. Para frigideira, peça bifes com um dedo de espessura; para churrasco, com três.
Carne bovina, suína e de frango precisam de tábuas separadas. Uma vez pedi para cortar uma barriga de porco e, quando o açougueiro foi apoiar a peça, tinha um peito de frango na mesma tábua, e a faca ainda estava com pedaços de carne na ponta. Isso se chama contaminação cruzada , quando bactérias de um alimento passam para outro.
E sempre deixe a carne para o fim das compras. Ela não pode ficar uma hora passeando no carrinho, ainda mais no calor.