De maneira simplificada, o método procura uma característica biológica presente em grande quantidade nas células do tumor. Uma molécula capaz de reconhecer esse alvo é ligada a um material radioativo, que permite visualizar, por meio de exames de imagem, onde ele está presente. Se as lesões apresentarem a característica procurada e o paciente tiver indicação para o tratamento, essa mesma característica pode ser utilizada para direcionar até elas um material que emite radiação.
O avanço observado nos últimos anos está relacionado, entre outros fatores, à identificação de novos alvos e ao desenvolvimento de radioisótopos capazes de ser usados no tratamento. Além do câncer de tireoide, já existem aplicações em tumores neuroendócrinos e no câncer de próstata .
Um dos principais alvos é o PSMA, proteína encontrada em maior quantidade em células tumorais do que nos tecidos normais. Um exame de PET pode mostrar quais lesões captam uma molécula dirigida ao PSMA e em que intensidade isso acontece. Em pacientes selecionados, o mesmo alvo pode ser utilizado para levar lutécio-177, que emite radiação beta, às áreas atingidas pela doença. "A imagem hoje é parte essencial do tratamento. E não é só ter o diagnóstico de um câncer de próstata que ele necessariamente vai expressar o PSMA", explica o médico Marcelo Araújo Queiroz, gerente de Medicina Nuclear e Teranóstico do Einstein Hospital Israelita .
Tumores classificados da mesma maneira não apresentam necessariamente as mesmas características. A diferença pode ocorrer, inclusive, dentro de uma única pessoa, com algumas metástases apresentando maior quantidade de determinado alvo do que outras. Além de identificar se uma lesão apresenta ou não a característica procurada, os exames começam a ser usados para obter informações como se a intensidade da captação de um radiofármaco pode ajudar a prever a resposta ao tratamento.
Embora a teranóstica seja uma abordagem personalizada pela seleção do alvo e dos pacientes, a quantidade de radioisótopo administrada em alguns tratamentos segue esquemas padronizados. Mas essa é uma questão em aberto. "Será que, para alguns pacientes, quatro ciclos já seriam suficientes para entregar a dose necessária ao tumor? Ou outros precisariam de oito ciclos para chegar à quantidade de radiação necessária?", questiona Queiroz.