Commodities alimentícias vão subir em 2026 e 2027, diz Banco Mundial

Uma má notícia para o consumidor e um problema para os governos administrarem a partir de agora: os preços mundiais das commodities alimentícias devem subir 10% neste ano e 7% no seguinte, acumulando 18%, devido à queda de produção de grãos

Por Admin ·

Commodities alimentícias vão subir em 2026 e 2027, diz Banco Mundial

As previsões são do Banco Mundial, que aponta, no entanto, que o cenário pode ficar ainda pior. Essas projeções pressupõem pressão menor no transporte de grãos pelo mar Negro e queda no custo dos insumos agrícolas em 2027. Uma intensificação dos conflitos geopolíticos e perdas acima do previsto com o El Niño poderão elevar os preços dos alimentos em 12% e os dos grãos em 20% acima da base de referência prevista para 2027.

O setor pode sofrer, ainda, se houver restrições adicionais às exportações de alimentos ou mudanças em políticas públicas que favoreçam os biocombustíveis. Esses fatores pressionariam os preços dos alimentos ainda mais, conforme um relatório divulgado nesta quarta-feira (28) pelo Banco Mundial.

Os consumidores de arroz podem estar entre os mais prejudicados. Na avaliação do banco, a safra mundial cai pela primeira vez em uma década, e os preços vão subir 10% neste ano e 11,6% no próximo. A Ásia, a principal região produtora do cereal, sofrerá os efeitos do El Niño. A tonelada do produto, cotada na Tailândia, passou em US$ 408 em 2025 para US$ 448 neste ano deve chegar a US$ 500 em 2027.

Outro produto que vai pesar no bolso do consumidor será o trigo , que fica 28% mais caro neste ano e sobe 14% no próximo. O banco atribui essa alta à queda de produção em várias regiões importantes para o abastecimento mundial, como na União Europeia e nos Estados Unidos, e às interrupções no comércio mundial, devido aos conflitos atuais.

Já os preços das bebidas devem recuar 24% neste ano e aumentar 3% em 2027. Eles refletem o aumento da produção de café e de cacau, após um período de forte alta nos preços, originada pela baixa oferta no mercado internacional. O banco estima também uma alta de 8% no preço da carne bovina neste ano, devido a um rebanho menor nos Estados Unidos e a tarifas colocadas pelo governo americano. Essa evolução de preço se repete em 2027.

Conforme o relatório do Banco Mundial, a soja sobe 18% em 2026 e 5% no próximo ano no mercado internacional. Com isso, o óleo de soja fica 39% mais caro neste ano, subindo mais 11% em 2027. O uso de óleo de soja nos biocombustíveis deve ultrapassar, pela primeira vez, metade do consumo interno desse produto nos Estados Unidos. A alta da oleaginosa provoca uma elevação também nos preços do farelo em 18% agora e de 9,5% no próximo ano. Além do farelo, o setor de produção de proteína animal vai encontrar um milho mais caro, com alta de 10% neste ano e de 5,4% no próximo.

A previsão é de que o preço dos grãos suba 14% neste ano e 9% em 2027. A oferta mundial será menor pela primeira vez em quatro anos, e a relação entre estoque e consumo deverá diminuir, segundo o banco. Mesmo assim, a oferta total de grãos em 2026/27, incluindo os estoques iniciais e a produção, deverá ser a segunda maior já registrada e cerca de 3% superior à dos dois anos anteriores. Isso deve limitar a pressão de alta.

O comportamento dos preços das commodities alimentícias continua com viés de alta. O efeito do El Niño sobre a produção pode se mostrar mais grave do que se estima atualmente; as hostilidades no mar Negro, se intensificadas, devem comprometer ainda mais os embarques de grãos; novas restrições comerciais podem elevar ainda mais os preços, e o conflito no Oriente Médio, se prolongado, pode elevar o custo da energia acima do esperado, impulsionar a demanda por biocombustíveis e aumentar os preços dos fertilizantes, afirmam os analistas do banco.

Por ora, o Banco Mundial avalia que o preço da ureia sobe 21% neste ano e cai 16% no próximo; o fosfato sobe 5% e recua 2%, e o potássio aumenta 10% e recua 9% no mesmo período.

Uma desorganização do processo produtivo e comercial no mundo deve gerar mais insegurança alimentar, que já afeta 9,5% da população mundial. Em 2025, eram 779 milhões de pessoas com insuficiência alimentar grave.