Em meio às articulações do Senado para votar ainda nesta quarta-feira uma proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, a comissão especial da Câmara dos Deputados que discute o tema também avança na tramitação de um texto próprio.
Relator da proposta, o deputado Mendonça Filho (PL-PE) afirmou que pretende colocar seu parecer final em votação no colegiado até o fim de novembro, para que a matéria seja encaminhada em seguida ao plenário da Câmara e, caso aprovada, ao Senado.
Mendonça Filho defende a redução da maioridade penal dos atuais 18 para 16 anos, mas afirma que está aberto a discutir o alcance da medida, inclusive a possibilidade de restringi-la a determinados crimes.
O deputado ressaltou que há diferentes posições entre os parlamentares, desde a redução para 14 anos, defendida por integrantes da oposição, até a aplicação da mudança apenas a crimes hediondos ou praticados com violência.
— O debate está aberto. Eu quero construir. A missão do relator é convencer e, ao mesmo tempo, ter abertura mínima, sem comprometer suas convicções, de permear suas ideias com as ideias da Casa. É o que permite você conseguir avançar num texto numa comissão como essa ou mesmo no plenário — afirmou.
O relator também destacou que a Câmara já cumpre as etapas regimentais de discussão da proposta e que a instalação da comissão especial impede que um eventual texto aprovado pelo Senado seja simplesmente apensado à matéria em análise no colegiado.
— Esse tema está avançando dentro de um ritmo bastante consistente. A gente está na primeira semana de novembro, eu estou falando de umas três semanas, a gente tem isso aí pronto — disse.
A discussão já havia provocado divergências durante a tramitação da PEC da Segurança Pública na Câmara. Na ocasião, Mendonça Filho tentou incluir a redução da maioridade penal na proposta, mas retirou o dispositivo após um acordo com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que o assunto fosse discutido separadamente. O presidente da Câmara instalou a comissão especial em agosto.
Nesta quarta-feira, mesmo dia em que o Senado busca acelerar a votação sobre o tema, a comissão da Câmara aprovou uma série de requerimentos para a realização de audiências públicas, ampliando a discussão antes da apresentação do parecer.
Entre os pedidos aprovados estão convites a integrantes do governo federal, representantes das forças de segurança, especialistas e familiares de vítimas de crimes cometidos por adolescentes.
De autoria da deputada Julia Zanatta (PL-SC), um dos requerimentos prevê uma audiência com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, representantes da Secretaria Nacional de Segurança Pública e da Polícia Federal para discutir dados sobre a participação de adolescentes em crimes violentos e organizações criminosas.
A parlamentar também conseguiu aprovar convites à ministra dos Direitos Humanos e a representantes do sistema socioeducativo para debater os resultados das políticas de responsabilização e ressocialização de adolescentes.
Outros requerimentos, apresentados pela deputada Delegada Ione (PL-MG), tratam dos impactos da redução da maioridade penal sobre o sistema prisional, do recrutamento de adolescentes por facções criminosas e da responsabilização por crimes hediondos.
O colegiado aprovou ainda a realização de um seminário regional em São Paulo, a pedido do deputado Fausto Pinato (União-SP), e uma audiência para discutir experiências internacionais sobre a idade de responsabilização criminal.
Apesar de tratarem do mesmo assunto, as propostas em discussão nas duas Casas são diferentes. No Senado, o tema ganhou força durante a votação da PEC da Segurança Pública, aprovada nesta terça-feira sem a inclusão da redução da maioridade penal.
As emendas apresentadas durante a tramitação passaram a ser discutidas separadamente, e os senadores articulam votar ainda nesta quarta-feira um texto do líder do PT, Camilo Santana (CE), com aval do governo Lula, que limita a redução para 16 anos aos crimes hediondos.
Na Câmara, a expectativa é votar o parecer na comissão especial e, em seguida, no plenário ainda no fim de novembro, para encaminhar a proposta ao Senado na primeira semana de dezembro. Mendonça Filho afirma que pretende manter o cronograma de discussão independentemente das articulações dos senadores, já que uma mudança constitucional precisa ser aprovada pelas duas Casas do Congresso.
Comissão da Câmara acelera discussão sobre redução da maioridade após Senado fechar acordo para votação do tema
Em meio às articulações do Senado para votar ainda nesta quarta-feira uma proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, a comissão especial da Câmara dos Deputados que discute o tema também avança na