O documento foi publicado na véspera da eleição que definirá o futuro do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu à frente do país, que chegou ao terceiro ano seguido de conflito na região , após os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultaram na morte de 1.200 pessoas e o sequestro de outras 251.
Tel Aviv rejeita absolutamente a conclusão dos investigadores. De acordo com o embaixador do país em Genebra , o relatório é "parte de uma campanha de desinformação da comissão para demonizar o Estado de Israel e apresentar sua própria existência como criminosa".
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou na rede social X que a conclusão dos investigadores "não é um relatório de direitos humanos, mas um documento de propaganda dissociado da realidade, destinado a minar o direito de Israel à autodefesa, deslegitimar o Estado judeu e legitimar o terrorismo jihadista contra seus cidadãos".
Os analistas afirma que os militares israelenses promovem "tortura, estupro e outras formas de violência sexual, além de perseguição por motivos discriminatórios" como "nacionalidade, raça e origem étnica".
De acordo com o parecer, ao menos 1.080 palestinos foram mortos —dentre esses, ao menos 244 eram crianças— e 10.940 foram feridos na Cisjordânia ocupada. A conclusão aponta que aproximadamente 95% das mortes e 82% dos ferimentos foram causados diretamente por forças de segurança israelenses, sendo o restante atribuído aos ataques de colonos .
Em suas conclusões na nova publicação, a comissão afirma que foi criada uma "cultura militar", na qual palestinos são completamente desumanizados e punidos pelas autoridades pelo atentado de 7 de Outubro , uma ferida aberta para os israelenses .
Para os analistas, o ataque contra civis é "produto de uma política de Estado", no qual os militares também contam com a violência dos colonos . Eles destacam ofensivas contra crianças palestinas , que se tornaram "parte de um padrão de violência intencional" que "não é incidental ou colateral à violência mais ampla".
"O assassinato e o ultraje deliberados de civis palestinos e a destruição de moradias na Cisjordânia fazem parte de uma estratégia mais ampla para exterminar e deslocar os palestinos e impor condições de vida que se tornam inabitáveis", disse o presidente da comissão, o advogado indiano Srinivasan Muralidhar.
A comissão, que não fala em nome de toda a ONU, foi criada pelo Conselho de Direitos Humanos da organização em 2021. Até novembro de 2025, foi presidida pela recém-vencedora do Nobel da Paz, Navi Pillay —cuja láurea foi criticada pelo governo Netanyahu , que afirmou legitimar o ódio contra o seu país.
O relatório surge em meio a uma série de ataques aéreos do Exército israelense em Gaza, mesmo que um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos esteja em vigor desde outubro do ano passado.
Nesta segunda-feira, o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Bassal, disse que, no total, 13 pessoas morreram e cerca de 60 ficaram feridas por ataques de Israel em 24 horas. A última ofensiva aérea na região deixou cinco mortos —entre eles, uma menina de sete anos.
A comissão afirma no novo documento que as forças e autoridades israelenses "continuam a praticar atos genocidas, com a intenção genocida de destruir, no todo ou em parte, os palestinos em Gaza". Segundo o relatório, os ataques persistiram mesmo após a trégua , deixando mais de 1.431 mortos —entre eles, ao menos 300 crianças e 130 mulheres— e 5.026 feridos até 30 de setembro deste ano.