Os torneios de comida são considerados um esporte, e seus praticantes, atletas. Fazem parte de uma entidade séria, a Federação Internacional de Comida Competitiva, com sede em Nova York, e seus craques costumam ser americanos, canadenses e japoneses. Muitos ficam famosos por um pseudônimo —"nom d’estomac", como dizem—, e o de Janus era Eater X. Os prêmios em dinheiro são consideráveis, embora seus concorrentes não precisem deles para comer.
Há regras estritas para essas competições. Numa prova, todos têm de comer ao mesmo tempo e na frente da plateia. Pode-se engolir sem mastigar, ajudar a ingestão com os dedos e fazer o que quiser, menos vomitar —no caso, a desclassificação é imediata. E então você perguntará: este é um esporte para gordos, não? Não. Janus nunca passou de 77 quilos, mais que razoáveis para seu 1,77 m. E como ele conseguia se manter assim, vivendo de comer quantidades absurdas?
Treinando intensamente e de maneira racional. Sua dieta em dias de competição consistia em queijo cottage (de fácil digestão por não ser prensado, ter baixo teor de gordura e alto de água e soro) e muita água, para expandir a capacidade do estômago. Também corria quatro dias por semana.
Por que estou me referindo a Tim Janus no passado? Porque ele morreu em Boston em setembro, aos 49 anos. Não de indigestão, empanturramento, gases ou coisa assim, mas de um prosaico câncer de pulmão. E nem fumava.
Comendo para vencer
Na próxima vez que sentir culpa por ter devorado de uma sentada três pratos de macarrão com almôndegas, pense num sujeito chamado Tim Janus. Era um dos campeões mundiais daqueles torneios em que os litigantes competem para ver quem come mais determinada coisa