Com Tarcísio, sem Marçal e a estratégia para Lula no púlpito: entenda a preparação de Flávio para o debate na Globo

22/10/2026 09h56 Atualizado 22/10/2026 09h56 A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara mudanças na atuação do candidato para o último debate presidencial, marcado para sexta-feira, na TV Globo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Frei

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Com Tarcísio, sem Marçal e a estratégia para Lula no púlpito: entenda a preparação de Flávio para o debate na Globo

22/10/2026 09h56 Atualizado 22/10/2026 09h56

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara mudanças na atuação do candidato para o último debate presidencial, marcado para sexta-feira, na TV Globo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terá participação nos treinamentos, enquanto o influenciador Pablo Marçal, que auxiliou o senador no confronto anterior, ficará fora da preparação. A equipe também discute uma alternativa para manter a estratégia de aproximação física com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo que o petista permaneça atrás do púlpito para evitar a repetição das movimentações feitas pelo adversário no debate da Band.

Flávio está em Brasília nesta quinta-feira, onde participa de sessões de preparação conduzidas pelo marqueteiro Duda Lima. Na sexta-feira, o senador seguirá os treinamentos no Rio de Janeiro, antes do confronto com Lula. A intenção é corrigir pontos considerados negativos pela equipe no primeiro debate do segundo turno, especialmente o excesso de provocações e a dificuldade de apresentar propostas de maneira objetiva.

A entrada de Tarcísio na preparação ocorre após avaliações internas sobre o desempenho de Flávio na Band. O governador deve contribuir principalmente com a discussão de propostas econômicas e administrativas, enquanto Duda Lima ficará responsável por orientar a postura e a comunicação do candidato. Tarcísio deve reforçar a preparação nas horas finais do debate, com dados e detalhes de programas de São Paulo que Flávio tem como intuito nacionalizar, caso seja eleito. Marçal, que participou dos treinamentos anteriores e defendeu uma atuação mais contundente, não integrará desta vez as sessões de preparação.

Apesar da orientação para adotar um tom mais equilibrado, a campanha não pretende abandonar completamente a estratégia de confronto visual com Lula. A equipe avalia que, caso o presidente permaneça atrás do púlpito, Flávio poderá se aproximar pela lateral da estrutura, desde que respeitadas as regras da emissora. A movimentação permitiria manter os candidatos próximos e produzir imagens que poderão ser exploradas nas redes sociais.

A possibilidade passou a ser discutida após o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, responsável pela preparação de Lula, afirmar nesta quarta-feira que o presidente adotará medidas para impedir que Flávio repita a movimentação feita na Band, quando circulou atrás do petista enquanto ele respondia às perguntas.

— Lula vai ficar no púlpito se necessário. Essa estratégia da extrema direita, de ficar atrás do candidato, é usada no mundo inteiro e não vai acontecer neste debate — disse Sidônio, no Palácio do Planalto.

O ministro afirmou ainda que Flávio “não vai ficar atrás de Lula” e chamou o candidato do PL de “papagaio de pirata”. Segundo ele, o presidente poderá permanecer mais tempo no púlpito, mas não deixará de circular pelo estúdio.

No debate da Band, Flávio circulou atrás de Lula, fez gestos negativos com a cabeça e reagiu às declarações do presidente enquanto ele falava. A movimentação provocou irritação na equipe petista, que passou a discutir formas de impedir a repetição da estratégia no último confronto.

Além das mudanças na preparação, a campanha orienta Flávio a reduzir provocações pessoais, responder mais diretamente às perguntas do adversário e dedicar maior espaço à apresentação de propostas. A avaliação é que o senador precisa transmitir uma imagem mais equilibrada e demonstrar domínio dos assuntos discutidos, especialmente diante dos eleitores indecisos.

A equipe também prepara respostas para possíveis ataques de Lula sobre investigações envolvendo Flávio e suas propostas econômicas. Uma das principais preocupações é evitar que a controvérsia provocada pelas declarações da coordenadora econômica Daniella Marques sobre o Bolsa Família volte a dominar o debate.

Daniella defendeu mudanças nas regras do programa para estimular a entrada de beneficiários no mercado de trabalho, o que abriu espaço para que a campanha petista acusasse Flávio de planejar restrições ao benefício. A repercussão ocorreu justamente quando o senador intensificava a tentativa de conquistar eleitores de baixa renda, segmento em que Lula mantém vantagem.

Para conter o desgaste, Flávio deverá reforçar o compromisso de manter e reajustar o Bolsa Família, além de defender mecanismos para que beneficiários que consigam emprego não percam imediatamente o auxílio. A orientação é evitar novas declarações que possam alimentar dúvidas sobre a continuidade do programa.

A preparação ocorre em um momento em que a campanha atribui importância crescente ao último debate. Integrantes da equipe avaliam que o confronto será uma das últimas oportunidades de Flávio para conquistar indecisos e reduzir a vantagem de Lula antes da votação de domingo.

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