Não que o público tenha assistido a um debate esclarecedor a dois dias de uma das eleições mais disputadas da história do Brasil. Não que a emissora tenha evitado a difusão de mentiras a granel. Não que os candidatos não tenham fugido de muitas perguntas feitas.
Mas, no geral, com regras mais rígidas, a emissora carioca conseguiu baixar a temperatura do embate e enquadrou os candidatos quase o tempo todo. Foi um evento intencionalmente frio, que ofereceu, nos primeiros três blocos, a sensação de alguma civilidade entre Lula e Flávio Bolsonaro .
César Tralli , no comando do debate ao vivo, adotou um tom professoral. Na maior parte do tempo, limitou-se a informar as regras e dar informações sobre os tempos que os candidatos tinham para fazer perguntas, respostas e réplicas. Um robô poderia ter feito esse trabalho.
Tralli também teve a função de informar aos candidatos se eles teriam direito de resposta a supostas acusações ou mentiras de que foram alvo, sem esclarecer as razões para as decisões que penalizaram ambos.
A Globo ofereceu checagem de fatos em tempo real nos seus canais na internet, mas não esclareceu o espectador que acompanhava o debate pela televisão sobre as mentiras ditas ao vivo.
Os sites que fizeram esse trabalho de checagem registraram uma enormidade de fake news ou afirmações imprecisas. Flávio Bolsonaro, como já havia ocorrido no primeiro debate, liderou nesse quesito.