Com maioria no Congresso dos EUA, democratas podem fazer vida de Trump até 2028 um inferno

Com a vitória avassaladora obtida nas eleições de meio de mandato nesta terça-feira (3) nos Estados Unidos , o Partido Democrata ganhou maioria no Senado e na Câmara —e, com isso, poder para causar sérios problemas para Donald Trump nos seu

Por Admin ·

Com maioria no Congresso dos EUA, democratas podem fazer vida de Trump até 2028 um inferno

Antes da votação, havia um receio entre democratas de que as pesquisas estivessem subestimando o voto republicano e que apenas a Câmara voltaria à mão da oposição ou que, no Senado, a maioria fosse magra.

Não foi o que ocorreu: projeções apontam que as duas Casas terão margens confortáveis para o partido , liderado no Senado por Chuck Schumer e na Câmara, por Hakeem Jeffries —que provavelmente será eleito em 3 de janeiro de 2027 o primeiro homem negro presidente da Câmara na história dos EUA.

Os democratas conquistaram uma maioria de pelo menos 54 assentos no Senado, resultado ainda mais impressionante porque o desenho constitucional da Casa a torna, historicamente, mais refratária ao controle desse partido.

Isso acontece graças ao fato de que, como são eleitos dois senadores por estado, unidades da federação menos populosas e eleitores em zonas rurais são favorecidos, dando uma vantagem a republicanos. Pesquisas estimam que o Senado é, em média, seis a dez pontos percentuais mais à direita do que a população americana em geral.

A eleição desta terça caminha para ser a maior virada democrata desde 1958, quando eleitores puniram o republicano Dwight D. Eisenhower por uma recessão econômica e pela percepção de que os EUA perdiam a corrida espacial após o lançamento do Sputnik , o primeiro satélite da história, pela URSS.

Trump reagiu ao resultado dizendo que o Partido Republicano , que está quase totalmente sob o seu comando, perdeu porque ele próprio não estava na cédula . "Eu não estava lá, e por causa disso, não conseguimos fazer as pessoas saírem para votar", disse ao New York Times. Seu vice-presidente, J. D. Vance, tentou se distanciar do chefe e mencionou a guerra no Irã como o principal motivo para a derrota histórica.

Entretanto, por mais superlativa que seja a vitória democrata, a margem não dá ao partido o poder de aprovar leis sem negociar com os republicanos. Isso porque a minoria no Senado americano possui à sua disposição um mecanismo de obstrução poderosíssimo, chamado de filibuster .

Em termos gerais, e ao contrário do que acontece no Brasil , quando um senador começa a discursar, ninguém pode interrompê-lo até que ele mesmo decida parar. Isso dá à minoria a possibilidade de paralisar completamente os trabalhos da Casa por longuíssimos períodos de tempo.

A única maneira de interromper os discursos é por meio de um voto que requer uma maioria de três quintos, isto é, 60 senadores. Isso significa que poucas leis são aprovadas nos EUA sem alguma medida de cooperação bipartidária .

"Entretanto, se os democratas chegarem a 55 ou 56 assentos, não estarão muito distantes de 60", diz à Folha o analista político Gabe Fleisher, do portal Wake Up to Politics. "São apenas quatro votos para superar a filibuster. Talvez leis muito progressistas não passem, mas propostas mais ao centro, como o fim da guerra no Irã, podem angariar apoio de republicanos moderados, como Lisa Murkowski."