A série da Netflix estreou em setembro como o primeiro drama jurídico brasileiro. No formato de sucessos americanos como " Law and Order " e " Suits ", acompanha o cotidiano de tribunais e desvenda casos ao longo dos episódios. Na mesma toada, entrou no catálogo da Globoplay "Verônika com K". Outras produções, como "Justiça 2" e a própria novela das 21h, " Quem Ama Cuida ", transformam advogados em mocinhos e processos em entretenimento.
Mas a ideia não é seguir os moldes estrangeiros. As tramas nacionais tentam emular os tribunais brasileiros com precisão para explorar contradições reais do sistema. São histórias que falam de racismo estrutural, corrupção no judiciário e da influência das elites nas instituições.
A multiplicação de tramas jurídicas nesse momento não é coincidência. A Operação Lava-Jato , a crise recente no Supremo Tribunal Federal e as investigações do assassinato de Marielle Franco e dos ataques golpistas do 8 de janeiro geraram amplo debate público. Os casos atiçaram o interesse de brasileiros sobre os bastidores dos tribunais.
"A influência do STF no noticiário é gigantesca. As pessoas hoje estão mais interessadas em acompanhar julgamentos", diz Augusto de Arruda Botelho, advogado e ex-Secretário Nacional de Justiça. O especialista é crítico à transmissão ao vivo de sessões do STF, feita pela TV Justiça.
O canal de 2002 foi o primeiro no mundo a transmitir em tempo real os julgamentos de uma Suprema Corte. Criada por lei, o objetivo da emissora era promover a transparência. Críticos, porém, falam na espetacularização dos julgamentos. "É prejudicial porque transforma um tema técnico numa discussão pessoal ou política, com torcida", diz Botelho.
Por coincidência, o problema é profetizado por Ines, personagem de Estiano, na primeira cena de "Habeas Corpus". "O tribunal é o circo romano de nossas paixões. E você, a plateia, quer redenção ou sangue. Nós, os gladiadores dessa arena, queremos vencer a qualquer custo", diz ela, pouco antes de levar um tiro.
Com 'Habeas Corpus', séries brasileiras se apropriam de tramas do universo jurídico
Um homem rico é esfaqueado, e sua filha é a principal suspeita do crime. Amparada por bons advogados, ela responde em liberdade. Jonathan, um entregador de gás, é preso sem provas. A trama de " Habeas Corpus " gira em torno da condenação de pessoas sem dinheir