É tão estapafúrdia a tentativa de inventar uma perseguição política e uma fraude eleitoral que não vale a pena perder tempo com ela.
Valeria, contudo, ressaltar que o episódio deixou ainda mais constrangedor o apoio oferecido à candidatura por setores da Faria Lima e da chamada direita democrática. O candidato derrotado, enrolado com acusações criminais, foi coerente com a biografia da família ao preferir cuidar da própria pele e dar as costas aos seus quase 60 milhões de eleitores.
A deserção, com fantasias delirantes e agradecimentos a Javier Milei e Donald Trump, coroou de maneira desastrosa uma aposta que deveria provocar reflexão entre os segmentos do mercado financeiro e do conservadorismo liberal que se animaram com a candidatura.
Não faltavam informações sobre quem era o pulha em questão, herdeiro de um golpista saudosista da ditadura e alvo de dois importantes inquéritos no Supremo Tribunal Federal por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Incapazes de erigir candidaturas à Presidência e conquistar apoio popular para seus projetos, parcelas das elites econômicas e do espectro liberal acabam terceirizando sua representação a aventureiros e regimes autoritários.
Há motivos para questionar gastos excessivos, intervenções do Estado, desequilíbrios fiscais e iniciativas que comprometem a eficiência da economia. Ninguém é obrigado também a concordar com a ampliação dos mecanismos de proteção característicos do Estado de bem-estar.
O problema é outro: por que tamanha ignorância e incompetência política dos defensores dessa perspectiva, com tantos recursos econômicos à mão, influência política e capacidade de intervenção no debate público?