Com bares, festas e galerias, conheça os becos do Centro que são os points do momento no Rio

Durante o dia, o Beco do Bragança pode parecer apenas uma rua qualquer do Centro, daquelas pouco movimentadas. Mas à noite o cenário se transforma, e a até então pacata viela — paralela à Rua Visconde de Inhaúma — é tomada por mesinhas lota

Por Admin ·

Com bares, festas e galerias, conheça os becos do Centro que são os points do momento no Rio

Durante o dia, o Beco do Bragança pode parecer apenas uma rua qualquer do Centro, daquelas pouco movimentadas. Mas à noite o cenário se transforma, e a até então pacata viela — paralela à Rua Visconde de Inhaúma — é tomada por mesinhas lotadas, cadeiras de praia e espaços de arte com festa que a transformam num fervo só. Junto com o vizinho Beco das Sardinhas — que voltou a chamar atenção com a abertura do Capiau—, o Beco do Bragança colocou a região no mapa da diversão, num movimento que não para de crescer: nos próximos meses, ambos ganham novos estabelecimentos.

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Uma das primeiras casas a ocupar o Beco do Bragança, em dezembro passado, a Firma nasceu numa pracinha no Engenho de Dentro, reunindo designers da Zona Norte, e hoje é um misto de galeria e bar com exposições, comidinhas e DJs. Fica no mesmo prédio do estúdio de tatuagem Noturna e das lojas Tapilogie (de tapetes) e Cabiúna (um escritório de arquitetura), também descoladas. Para comemorar um ano, vai ter festa da Firma: programação especial no bar, flash tattoo no estúdio e portas abertas nas lojas.

— Quando viemos, não tinha quase ninguém. Hoje, dizem que a rua mais legal do mundo é a do Senado, mas queremos ser a próxima — conta Rodrigo Nery, um dos fundadores da Firma.

No que depender de frequentadores, eles parecem estar em bom caminho.

— Já fui três vezes e sempre fiquei com vontade de voltar. É maneiro porque tem bares muito legais perto um do outro, dá para circular entre as casas — diz a designer carioca Julia Amaral, de 29 anos. — É versátil e bom para um date, porque dá para tomar um drinque e também dançar se quiser.

Aberta também no fim de 2025, a Vidadura é uma galeria de arte, mas não só: realiza festas concorridas que vão até de manhã e passeiam por diversos estilos musicais. Em março deste ano, veio o Mergulho Bar, com coquetelaria autoral e programação cultural.

Surfando na onda do point, o Prainha Discos vai reforçar o time, expandindo as fronteiras: em janeiro, deixa a loja da Sacadura Cabral — onde conquistou clientes apaixonados pela cultura do vinil com festas na calçada— e se instala ali do lado. A casa abre na Rua Conselheiro Saraiva, em frente à Capioca (loja de móveis vintage). O novo Prainha será maior, com cozinha e coquetelaria, mas sem perder o foco no principal: música.

— Vamos ter uma pista interna e queremos gravar shows ao vivo, intimistas — conta Daniel Cairoli.

Sócio do Lemô, Rodrigo Oliveira também tem planos de abrir um espaço no Beco do Bragança.

Alguns quarteirões adiante (cerca de 500m), o Beco das Sardinhas também vive ótima fase. Depois dos tempos áureos na década de 1980, se perdeu no mapa do agito por alguns anos, mas deu a volta por cima. Hoje, é uma mistura de botecos tradicionais, como o pioneiro Bar Ocidental, de 1956, e novos espaços. Mas o agito ali é mais cedo: rola muita coisa de dia mesmo, e tudo encerra até as 22h.

Aberto em 2024 sob comando de Raphael Vidal (à frente de bares no Largo da Prainha), o Capiau Botequim foi um dos responsáveis pelo revival. Na cozinha do chef Diego Melão, a proposta é comida caipira no forno à lenha: carne de lata, torresmo, bochecha de porco.... No fim de semana rola brunch caipira e, de tempos em tempos, a casa agita a rua e o vizinho Largo de Santa Rita, com música ao vivo, pula-pula para crianças e eventos como a Feira Literária do Largo de Santa Rita.

A história gastronômica da rua começou muito antes, na década de 1950, com migrantes portugueses, que fundaram o Bar Ocidental no beco, entre a Av. Marechal Floriano e a Rua do Acre. Em 1960, os irmãos Fernando e Eduardo assumiram a casa e criaram a receita da icônica sardinha frita que, anos depois, deu nome ao lugar. O sucesso foi tanto que todos os restaurantes da rua passaram a servir o peixe, tradição até hoje.

— Nosso gerente, Manoel Brito, e o garçom Raimundo Almeida estão aqui há mais de 40 anos — conta Luciane Gonçalves, filha de Fernando, que hoje toca o local.

Tem mais clássicos por lá — mas com cara de novidade. O Esquimó, tradicional “bunda de fora” fundado em 1962 na Travessa do Ouvidor e famoso por seus PFs, se mudou para o beco no ano passado, sob comando de Rafael Duarte, filho do fundador. O cardápio é um folheto para marcar. Dentre as opções, velhos conhecidos dos cariocas: língua ao molho, hamburguesa, bife acebolado… A lista é longa.

Com o sócio Jean Neroni, Rafael comanda também o self-service Sardina, no fim do beco. A dupla vai tocar outro projeto ali: estão reformando um casarão para abrir uma osteria italiana. A previsão de inauguração é no primeiro semestre de 2027.

Em breve, chegam três novidades, todas de Vidal. O Bife Gracioso é a primeira a abrir as portas, ainda este mês. A proposta é uma ode ao jeito carioca de fazer bife, do oswaldo aranha ao empanado. Os outros são o Galeto Comendador e o Fumeiro Santa Rita. No primeiro, o foco está no nome: galetos. Já o Fumeiro será a maior casa, com 200 lugares e um forno para grelhados, defumados, miúdos e, principalmente, o leitão.

— Você encontra aqui o turista regional e internacional ao lado do trabalhador. Isso é a prova de que o Centro já aconteceu. E esse é um novo formato da cidade —acredita Vidal.

Firma. Espaço que mistura bar, exposições e escritório criativo, com noites de vinil, audições, lançamentos, DJs e eventos. Rua da Candelária 92, Centro. Qui, das 18h à 1h. Sex, das 18h às 2h. Sáb, das 16h às 2h. Dom, das 17h à meia-noite.

Mergulho Bar. Drinques autorais, agenda de samba, jazz e eventos culturais. Beco do Bragança 18. Qui a sáb, das 16h à 1h.

Vidadura. Galeria dedicada à arte urbana que também recebe festas. Neste sábado (das 22h às 5h), rola a Mistura (house, trance e funk). Beco do Bragança 26, Centro. R$ 10.

Bar do Boi. Bar e restaurante de perfil tradicional, com almoço, petiscos e cerveja. Av. Marechal Floriano 4. Diariamente, das 6h às 22h.

Bar Ocidental. Conhecido pela criação da receita de sardinha frita do beco (R$ 4,50). Rua Miguel Couto 124- C. Seg a sex, das 9h às 21h. Sáb, das 9h às 16h.

Capiau Botequim. Cozinha caipira, no forno a lenha. R ua Miguel Couto 124. Ter a sex, das 11h às 22h. Sáb, das 11h às 18h. Dom, das 11h às 17h.

Esquimó. Restaurante tradicional de PF (R$ 38,90). Rua Miguel Couto 124. Seg e ter, das 11h30 às 15h30. Qua a sex, das 11h30 às 20h. Sáb, das 12h às 16h30.

O Rei dos Frangos Marítimos. Famoso também pelas sardinhas fritas (R$ 3). Rua Miguel Couto 139. Seg, das 11h às 20h. Ter a sex, das 11h às 22h.

Sardina. Bar e restaurante com serviço a quilo. Rua Miguel Couto 130. Seg a sex, das 11h30 às 15h30.