Há décadas os colonos intimidam os palestinos que colhem suas azeitonas na Cisjordânia ocupada, mas, neste ano, não só a violência aumentou drasticamente como os roubos se tornaram generalizados, segundo palestinos, grupos de direitos humanos israelenses e a ONU.
Os colonos colocaram as azeitonas de Salem em sacos e, em seguida, as levaram de carro até um posto avançado de colonos israelenses nas proximidades para serem transformadas em azeite, contou o palestino de 50 anos à Reuters sobre o incidente ocorrido perto de sua aldeia, Lubban al-Gharbi.
"Como você se sentiria se algo que lhe pertencesse estivesse sendo violado e você não pudesse fazer nada a respeito?", disse.
O casal que mora no posto avançado recusou vários pedidos de comentário da Reuters, e o Conselho Yesha, que supervisiona os assentamentos israelenses na Cisjordânia, também não respondeu.
Os ataques se intensificaram às vésperas das eleições israelenses, realizadas nesta terça-feira (27).
A colheita da azeitona começa com a chegada do tempo mais fresco, permitindo que famílias palestinas se reúnam nos pomares exuberantes de que cuidam há gerações. "Meu filho de 6 anos se lembra de ir lá comigo, comer, tomar chá", disse Salem.
Com o estabelecimento de centenas de pequenos postos avançados de colonos sob o governo de Netanyahu desde 2022, as Forças Armadas têm restringido cada vez mais o acesso dos palestinos às áreas próximas, incluindo muitos olivais.
"Isso cria uma situação em que os palestinos, em muitos casos e em muitas terras, especialmente nas proximidades de assentamentos e postos avançados, não podem entrar nas terras e colher as árvores", disse Ziv Stahl, diretor executivo do grupo de direitos israelense Yesh Din. "Mas os colonos podem ir e vir livremente, e é isso que fazem."
Mesmo quando os palestinos conseguem acessar suas árvores, isso não ocorre sem risco. O Yesh Din relatou na semana passada 125 agressões físicas contra colhedores de azeitonas palestinos nos 24 dias desde o início da safra e 168 incidentes de roubo de colheita, com a presença de forças militares israelenses em pelo menos um quarto dos casos.
Um oficial militar israelense afirmou que leva muito a sério atos de violência, atividades criminosas e tentativas de comprometer a segurança. O oficial não se referiu aos colonos nem comentou os relatos de roubo de azeitonas na presença das forças militares israelenses, que, por outro lado, arrancaram árvores com escavadeiras, afirmando haver necessidade de prevenir ataques palestinos.
A remoção das azeitonas dos palestinos gerou reações muito divergentes entre os rabinos israelenses. "Eu chamo isso de roubo. Do meu ponto de vista, defino isso como roubo ou furto, e é proibido", disse Zev Weitman, rabino do assentamento de Alon Shvut, ao sul de Belém.
O proeminente rabino ortodoxo Dov Lior afirmou que os colonos deveriam colher em toda a Cisjordânia, sustentando em uma carta aberta que os palestinos não tinham direitos de propriedade sobre a terra e que a colheita de azeitonas cumpria "o mandamento de conquistar a terra".
Centenas de acres de terra ao redor da aldeia de Salem, Lubban al-Gharbi, incluindo olivais, foram cercados e confiscados entre 2023 e 2026 pela Fazenda Avichai, um posto avançado de colonos israelenses construído em uma colina próxima.