Citigroup e BCA Research rebaixam recomendação de ativos brasileiros com vitória de Lula

O banco Citigroup e a gestora de investimentos BCA Research rebaixaram a recomendação para os ativos brasileiros após a reeleição de Lula (PT) para a presidência do Brasil nesse domingo (25), argumentando que a relação entre risco e retorno

Por Admin ·

Citigroup e BCA Research rebaixam recomendação de ativos brasileiros com vitória de Lula

As recomendações refletem uma mudannorteça mais ampla no sentimento dos investidores, com estrategistas alertando que uma política fiscal mais frouxa, uma dinâmica menos favorável da dívida pública e avanços mais lentos em reformas que estimulem o crescimento podem pressionar os mercados brasileiros, apesar das limitações impostas por um Congresso com maioria de partidos da direita.

Na segunda-feira (26), o Citi deixou suas posições otimistas em ativos brasileiros após a vitória eleitoral de Lula , retirando a recomendação de exposição acima da média a ações e fechando sua posição comprada no real brasileiro.

"Embora os preços possam cair para muito abaixo de níveis considerados justos, o mercado estava posicionado na ponta compradora antes desse desfecho, o que torna plausível um movimento exagerado. Diante do resultado da eleição, encerramos nossa exposição ao risco Brasil", afirmou o Citi.

O mercado previa a vitória do senador Flávio Bolsonaro ( PL ), derrotado por Lula nas urnas, que vinha liderando as pesquisas eleitorais.

Os ativos brasileiros despencaram na segunda-feira, com o real fechando em queda de 8,41% em relação ao dólar norte-americano, maior perda diária desde 1999 , e o índice Ibovespa, da B3, caindo 13,9%, sua maior queda em um único dia desde março de 2020.

Já o BCA Research rebaixou o Brasil em relação aos mercados emergentes, afirmando que a vitória de Lula "põe fim à perspectiva de um governo ortodoxo que promova melhorias estruturais nas contas fiscais e no crescimento potencial do Brasil".

A gestora rebaixou as ações brasileiras de "neutras" para "abaixo da média", citando o aumento dos riscos de inadimplência, a piora das perspectivas de crescimento e as pressões inflacionárias decorrentes de uma moeda mais fraca.

A empresa também rebaixou os títulos brasileiros denominados em moeda local e o crédito soberano de "acima da média" para "abaixo da média", alertando para a deterioração da dinâmica da dívida.