As recomendações refletem uma mudannorteça mais ampla no sentimento dos investidores, com estrategistas alertando que uma política fiscal mais frouxa, uma dinâmica menos favorável da dívida pública e avanços mais lentos em reformas que estimulem o crescimento podem pressionar os mercados brasileiros, apesar das limitações impostas por um Congresso com maioria de partidos da direita.
Na segunda-feira (26), o Citi deixou suas posições otimistas em ativos brasileiros após a vitória eleitoral de Lula , retirando a recomendação de exposição acima da média a ações e fechando sua posição comprada no real brasileiro.
"Embora os preços possam cair para muito abaixo de níveis considerados justos, o mercado estava posicionado na ponta compradora antes desse desfecho, o que torna plausível um movimento exagerado. Diante do resultado da eleição, encerramos nossa exposição ao risco Brasil", afirmou o Citi.
O mercado previa a vitória do senador Flávio Bolsonaro ( PL ), derrotado por Lula nas urnas, que vinha liderando as pesquisas eleitorais.
Os ativos brasileiros despencaram na segunda-feira, com o real fechando em queda de 8,41% em relação ao dólar norte-americano, maior perda diária desde 1999 , e o índice Ibovespa, da B3, caindo 13,9%, sua maior queda em um único dia desde março de 2020.
Já o BCA Research rebaixou o Brasil em relação aos mercados emergentes, afirmando que a vitória de Lula "põe fim à perspectiva de um governo ortodoxo que promova melhorias estruturais nas contas fiscais e no crescimento potencial do Brasil".
A gestora rebaixou as ações brasileiras de "neutras" para "abaixo da média", citando o aumento dos riscos de inadimplência, a piora das perspectivas de crescimento e as pressões inflacionárias decorrentes de uma moeda mais fraca.
A empresa também rebaixou os títulos brasileiros denominados em moeda local e o crédito soberano de "acima da média" para "abaixo da média", alertando para a deterioração da dinâmica da dívida.