Na minha cabeça, ecoa a voz da bartender e pesquisadora de ingredientes brasileiros Néli Pereira, que rejeita a frase "O Brasil me obriga a beber", pois um país como o nosso exige atenção permanente, afinal. No entanto, estaremos atentos e infartados do jeito que a coisa vai. Teve gente que já parou na UTI.
Uma vez, a presidente da maison de Champagne Veuve Clicquot me disse que devemos preferir as borbulhas para comemorar, mas também podemos apelar para elas quando estamos tristes, pois têm a capacidade de nos alegrar um pouco. De um jeito ou de outro, indico o espumante Cave Sabiá (R$ 179 no St. Marché), brasileiríssimo, feito na Mantiqueira pelo método tradicional (o mesmo de Champanhe ) com pinot noir e chardonnay que ficam por 18 meses em contato com as leveduras, o que o deixa bem cremoso. As borbulhas são fininhas e resistem até o fim da taça, como espero resistir até o fim da semana.
Na mesma noite em que provei o Sabiá, no restaurante Clandestina, que serve ótima comida brasileira na Vila Madalena , provei também o Sémillon Invader 2023 (R$ 62 a taça no Clandestina), feito pelo argentino Matías Riccitelli. É um vinho excelente, complexo, muito fresco, com notas de fruta branca e ervas. A Argentina tem feito brancos fantásticos. Mas as coisas lá não vão muito bem, outro dia vi que 32 mil empresas fecharam sob o governo Javier Milei. Ai, olha eu aqui, distraída, me distanciando de novo do tema, desculpe.